Direita mobiliza atos em ao menos 15 cidades pelo impeachment de Moraes no Dia da Independência
Grupos de direita realizaram manifestações em pelo menos 15 cidades do Brasil nesta segunda-feira (7), Dia da Independência, com pautas centrais o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os atos ganharam força em meio a desdobramentos da crise envolvendo o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e novos pedidos de impeachment protocolados contra Moraes.
As mobilizações se espalharam por todas as regiões do país, com destaque para a Avenida Paulista, em São Paulo, que concentrou um grande número de manifestantes a partir da tarde. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocou o ato paulistano, que teve como palavras de ordem “Fora Lula” e “Fora Moraes”.
Em Belo Horizonte, a Praça da Liberdade foi palco de um protesto que reuniu apoiadores da direita, mesmo sob chuva. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) discursou no evento, afirmando que a manifestação tinha como objetivo pressionar pela saída de Moraes e não tinha caráter eleitoral. Ferreira também criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, além de declarar apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. O deputado acusou Alexandre de Moraes de estar promovendo um golpe no país.
Senador Rogério Marinho defende reação e impeachment de Moraes
Em Natal (RN), o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, participou de um ato no Largo do Atheneu. Marinho reiterou sua defesa pelo impeachment de Moraes, argumentando que a sociedade precisa reagir aos que considera excessos do ministro e do STF. O senador classificou como abuso de poder a investigação solicitada por Moraes contra o ministro André Mendonça e defendeu uma reação “pacífica e democrática” que cobre os limites constitucionais.
Marinho tem utilizado as manifestações para pressionar o Senado a analisar os pedidos de impeachment contra Moraes, apesar de não ter assinado um dos pedidos apresentados.
Sergio Moro em Curitiba: “Precisamos ficar livres desses arbítrios”
Na capital paranaense, a Praça Nossa Senhora de Salete foi o local de um protesto com a participação do senador Sergio Moro (PL-PR). Moro defendeu o impeachment de Moraes, relacionando a data da Independência à luta pela liberdade e pela “libertação desses arbítrios e barbaridades que temos visto em Brasília”. O senador também ressaltou a necessidade de investigar as relações entre Moraes e Daniel Vorcaro, afirmando ter assinado um pedido de impeachment contra o ministro do STF. O deputado federal Filipe Barros (PL-PR) também esteve presente, conclamando a população a “resgatar o país”.
Apoio a André Mendonça ganha força entre manifestantes
Paralelamente aos pedidos de impeachment de Moraes, os atos da direita também passaram a defender o ministro André Mendonça. O magistrado ganhou destaque após a divulgação de um relatório da Polícia Federal sobre investigações envolvendo o Banco Master e os vínculos de Moraes com Vorcaro, episódio que aprofundou o embate entre os dois ministros da Corte. Em Brasília, um ato paralelo ao desfile oficial de 7 de Setembro reuniu apoiadores do PL, com gritos de “Fora Lula” e “Fora Moraes”, além de manifestações de apoio a Mendonça.
A defesa de Mendonça também foi presente em atos em Maceió (AL) e no Rio de Janeiro, na praia de Copacabana. A pauta de apoio ao ministro tem sido articulada nacionalmente por lideranças políticas e religiosas ligadas à direita, dividindo espaço com as críticas a Moraes.
A mobilização nacional ocorre em um contexto de alta tensão entre setores da oposição e o STF, intensificada após a divulgação de mensagens entre Moraes e Vorcaro. Diversos grupos, parlamentares e lideranças políticas da direita, incluindo Nikolas Ferreira, Bia Kicis, Gustavo Gayer, Julia Zanatta, Rogério Marinho, Silas Malafaia e Flávio Bolsonaro, estiveram envolvidos na convocação dos atos. O PL, embora tenha participação de seus membros, não é o organizador formal de todas as manifestações.
Em São Paulo, além do ato convocado por Flávio Bolsonaro, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), participou de uma manifestação pela manhã na Avenida Paulista. O candidato Renan Santos (Missão) também realizou um protesto no Obelisco do Ibirapuera, evidenciando a fragmentação da direita em diferentes atos na capital paulista.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados por diversos veículos de comunicação cobrindo os eventos do 7 de Setembro.
