Ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, declarou em entrevista à CNN Brasil que se arrepende de ter apoiado a nomeação de Alexandre de Moraes para a Corte. A declaração surge após a divulgação de conversas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master.
A afirmação de Marco Aurélio Mello, que se aposentou do STF em 2021, foi enfática: “Se arrependimento matasse eu não estaria aqui hoje conversando com vocês”. Ele relembrou o momento em que apoiou a escolha de Moraes para a vaga deixada pelo ministro Teori Zavascki, que faleceu em um acidente aéreo. Na ocasião, Mello elogiou o então indicado, citando sua trajetória como professor universitário, membro do Ministério Público e cargos em secretarias de segurança e governo, além de Ministro da Justiça. Contudo, o ex-ministro avaliou que Alexandre de Moraes “vem errando a mão e isso é muito ruim”, sem detalhar as razões específicas para tal avaliação.
Defesa de André Mendonça e clamor por transparência
Marco Aurélio Mello também comentou a atuação do ministro André Mendonça, que derrubou o sigilo de um relatório da Polícia Federal contendo as mensagens entre Moraes e Vorcaro. Segundo Mello, Mendonça “procedeu como deveria proceder” ao encaminhar o material à Procuradoria-Geral da República. Ele criticou o que percebe como uma “inversão de valores” ao sugerir que Moraes teria questionado a conduta de Mendonça fora do regimento jurídico.
O ex-ministro defendeu ainda que os procedimentos investigatórios envolvendo Daniel Vorcaro e membros da Corte sejam conduzidos com “publicidade e transparência”. Para Marco Aurélio, o sigilo em tais casos não se coaduna com os princípios democráticos, ressaltando que “a regra é transparência, publicidade, para que a gente saiba o que está acontecendo na administração pública”.
As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.
