Declaração foi feita durante entrevista a rádio cearense. Relação com EUA tem sido marcada por tensões tarifárias.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revelou ter comunicado ao então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o Brasil não tolera qualquer tipo de interferência em seus processos eleitorais. A declaração foi feita durante uma conversa telefônica entre os dois líderes em 21 de agosto, conforme relatado por Lula em entrevista à rádio Progresso, de Juazeiro do Norte (CE).
Questionado sobre a possibilidade de ingerência externa nas eleições brasileiras, Lula foi categórico ao afirmar que, se tal tentativa ocorrer, ela será derrotada. “Se tiver, vai perder. Eu disse para o Trump isso. Disse para ele: ‘Seguinte, nós não aceitamos ingerência de ninguém nas eleições. E se entrar, vai perder’”, declarou o presidente.
Tensões comerciais e diplomáticas
A relação entre Brasil e Estados Unidos sob a administração Trump foi marcada por divergências, incluindo a imposição de novas tarifas pelo governo americano contra produtos brasileiros em julho. Essas sobretaxas, que poderiam chegar a 37,5% dependendo do item, geraram reações do lado brasileiro. Na ocasião, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, criticou a postura de Lula, que por sua vez o classificou como “bolsonarista” e alguém que “odeia o Brasil”.
Apesar das tensões pontuais, Lula tem buscado ressaltar a boa relação pessoal que mantém com Trump, assim como com outros líderes mundiais. “Se tem um brasileiro que pode dizer que é abençoado por Deus, sou eu, porque eu me dou muito bem com o Trump, com o Xi Jinping, com [Emmanuel] Macron, com o primeiro-ministro do Reino Unido, com [Vladimir] Putin. Eu não tenho adversário”, enfatizou o presidente.
Estratégia de “ganhar na narrativa”
Lula reiterou sua intenção de vencer o debate político “na narrativa”, buscando demonstrar a Trump que as justificativas apresentadas para as tarifas impostas ao Brasil estão equivocadas. O presidente destacou que, mesmo com a queda na relação comercial após as tarifas americanas, o intercâmbio com outros 17 países apresentou crescimento, com avanços superiores a 10% nas nações que ele visitou.
A declaração reforça a postura assertiva do governo brasileiro em defender sua soberania eleitoral e, ao mesmo tempo, busca gerenciar as relações bilaterais em um cenário internacional complexo.
