Guida Vianna celebra 50 anos de carreira com humor e reflexão sobre a vida e a morte
Guida Vianna celebra 50 anos de carreira com humor e reflexão sobre a vida e a morte

Guida Vianna celebra 50 anos de carreira com humor e reflexão sobre a vida e a morte

Guida Vianna, nome incontornável do teatro brasileiro, celebra meio século de dedicação às artes cênicas com a estreia da peça “As Irmãs Pereira”, um mergulho nas complexidades das relações familiares e na visão natural da vida e da morte. A atriz, conhecida por sua energia contagiante e profundidade interpretativa, conversou sobre a obra, sua longa […]

Resumo

Guida Vianna, nome incontornável do teatro brasileiro, celebra meio século de dedicação às artes cênicas com a estreia da peça “As Irmãs Pereira”, um mergulho nas complexidades das relações familiares e na visão natural da vida e da morte. A atriz, conhecida por sua energia contagiante e profundidade interpretativa, conversou sobre a obra, sua longa carreira como professora e a alegria em discutir temas existenciais no palco.

Em meio aos preparativos para a estreia de “As Irmãs Pereira”, peça escrita especialmente para comemorar seus 50 anos de carreira pelo ex-aluno Pedro Brício, Guida Vianna irradiava vitalidade. Vestida com figurino e peruca para sua personagem, Glória, a atriz demonstrou a mesma paixão que a impulsionou desde a juventude em Petrópolis, quando o sonho de atuar a levava ao Rio de Janeiro e ao lendário Tablado. “Faz tempo que só uso meus cabelos brancos; resolvi mudar para esta peça”, brincou, referindo-se à transformação para o espetáculo.

A relação de Guida com o teatro vai além da atuação. Por mais de 40 anos, ela tem se dedicado ao ensino, ministrando oficinas de improvisação por todo o Brasil, para atores e não atores. A atriz relembra com carinho o tempo em que lecionou no Tablado por três décadas, um período que considera o “Big Bang da atuação” para muitos. “Conheço o Pedro [Brício] desde que ele tinha 15 anos, foi meu aluno de improvisação”, conta, evidenciando a força dos laços formados na trajetória pedagógica.

Um reconhecimento em vida

No último Prêmio APTR de Teatro, Guida Vianna foi homenageada com o primeiro Troféu Camilla Amado. Inicialmente surpresa e relutante em aceitar, a atriz mudou de ideia ao entender que o prêmio reconhecia não apenas sua atuação, mas também sua significativa contribuição na formação de novas gerações de artistas. A emoção tomou conta ao receber o troféu das mãos de Rafaela Amado, filha de Camilla, um momento que Guida descreveu como deveras simbólico. “Eu disse que tinha que ser ela”, compartilhou.

A atriz também refletiu sobre a peça “A Menina Escorrendo dos Olhos da Mãe”, na qual atuou ao lado de Silvia Buarque. Guida descreve o ofício da atuação como a capacidade de “transbordar a imaginação para a concretude na linguagem cênica”, uma definição que ressoa com a profundidade de suas interpretações, incluindo a inesquecível Fausta em “Senhora do Destino”.

A morte como parte natural da vida

“As Irmãs Pereira” aborda, de forma central, o tema da morte e o luto. Na peça, três irmãs lidam com as cinzas de sua mãe, um ano após seu falecimento. Guida Vianna, que interpreta Glória, uma das irmãs, defende abertamente sua visão sobre o assunto: “Eu vejo a morte como ela é, uma parte natural da vida. Acho ótimo poder falar sobre isso com alegria.” A peça, embora trate de um tema delicado, é marcada por um tom de comédia, mas, segundo a atriz Clarisse Derzié, que contracena com Guida, o espetáculo tem o poder de evocar depoimentos emocionados de espectadores que enfrentam dificuldades em lidar com a perda.

Inspirada na própria estrutura familiar de Brício, que foi criado pela mãe e duas tias, a peça celebra a cumplicidade e as diferentes perspectivas que as irmãs têm sobre memórias compartilhadas. Guida Vianna celebrou a escolha de Pedro Brício por um texto que não fosse um monólogo, mas sim uma oportunidade de “estar com amigas em cena, celebrar”. O final da peça, longe de ser melancólico, é um “desfile de possibilidades e cores”, segundo a atriz, reafirmando a ideia de que a vida, mesmo diante do fim, pulsa intensamente.

Em um momento de afeto, Guida relembrou a parceria com Silvia Buarque em “A Menina Escorrendo dos Olhos da Mãe”, quando Silvia tratava um câncer. “Silvinha estava num período entre cirurgias e, pra ela, era importante continuar trabalhando. A peça era uma produção sua. Eu estava ali atenta para o que precisasse. Não era só uma relação de atrizes, mas de cuidados pessoais”, relatou Guida, destacando a generosidade e a força da colega, a quem considera como uma “tia” e uma pessoa maravilhosa.

A entrevista e a conversa sobre “As Irmãs Pereira” foram realizadas no Sesc de Copacabana, com informações reunidas a partir de conversa com a atriz Guida Vianna.

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