A saúde íntima vai além das preliminares e do uso de preservativos. Pequenos hábitos após a relação sexual podem fazer uma grande diferença na prevenção de infecções e na manutenção do bem-estar. Uma das recomendações mais enfáticas de especialistas é a micção logo após o ato sexual, um gesto simples que ajuda a eliminar bactérias e reduzir o risco de cistite, principalmente entre as mulheres.
O Dia Mundial da Saúde Sexual, celebrado em 4 de setembro, serve como um lembrete da importância de cuidados contínuos com a saúde íntima. Segundo a urologista Karin Anzolch, secretária-geral da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a saúde sexual não exige rituais complexos, mas sim a adoção de práticas básicas que garantem o prazer e a segurança. Um desses cuidados é a remoção correta da camisinha, evitando deixá-la no pênis por tempo prolongado após a ejaculação. A umidade excessiva e o contato com secreções podem levar a irritações e predispor ao surgimento de fungos. A orientação é remover o preservativo com o pênis ainda ereto, segurando-o pela base para evitar vazamentos, e descartá-lo adequadamente no lixo. No caso da camisinha feminina, deixá-la dentro da vagina por muito tempo pode dificultar sua remoção, exigindo, em alguns casos, atendimento médico.
O hábito de urinar após o sexo é particularmente recomendado para mulheres, pois o atrito durante a relação pode facilitar a migração de bactérias para a uretra. Como o canal uretral feminino é mais curto, essas bactérias têm maior facilidade de atingir a bexiga e causar infecções urinárias, como a cistite. A urologista Karin Anzolch explica que a uretra funciona como uma via de mão dupla, permitindo a entrada de microrganismos. Urinar logo em seguida ajuda a expelir essas bactérias antes que elas se multipliquem. Para os homens, embora o risco de cistite seja menor, o hábito não faz mal, mas não é considerado obrigatório. É fundamental, no entanto, não forçar a micção caso não haja vontade.
Higiene íntima: o que é recomendado e o que evitar
Além de urinar, a limpeza básica da região íntima é outro ponto importante. As especialistas desaconselham duchas intravaginais, pois elas removem a flora bacteriana natural, que protege contra infecções. As próprias secreções genitais já auxiliam na eliminação de impurezas. A lavagem externa da vulva é suficiente. Para homens, a higiene diária adequada, incluindo a limpeza da glande e a área sob o prepúcio, é crucial para prevenir irritações, infecções e até mesmo o câncer de pênis. É importante ressaltar que a higiene genital, por si só, não previne infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), mas contribui para a remoção de bactérias e secreções, evitando dermatites e odores desagradáveis. A recomendação vale para todas as práticas sexuais, com ou sem penetração, e para relações entre vulvas.
No caso de sexo anal, a atenção à higiene deve ser redobrada para eliminar resquícios fecais, que podem causar odor e infecções. Lavar as mãos após o contato com a região anal também é essencial. Duchas internas no reto não são recomendadas, pois podem irritar a região e causar lesões, sendo a lavagem externa a prática indicada. O uso de água e sabão neutro é suficiente para a higiene íntima. Produtos perfumados, desodorantes íntimos e talcos devem ser evitados, pois podem causar irritação e desequilíbrio da flora vaginal.
As especialistas reforçam que a prevenção mais eficaz contra ISTs continua sendo o uso de preservativos durante toda a relação sexual, aliado a vacinação e exames médicos periódicos. Ficar atento a sinais anormais como lesões, bolhas, dor persistente, ardência, sangramento ou secreções é fundamental, e nesses casos, a busca por ajuda médica é indispensável. A orientação geral é desfrutar da sexualidade com prazer e, em seguida, manter uma higiene adequada, sem exageros.
