Sergio Moro (PL-PR) reagiu às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante entrevista ao Jornal Nacional, qualificando o petista como “transtornado, rancoroso e mentiroso”. O ex-juiz da Lava Jato argumentou que Lula foca em ataques à operação para desviar a atenção de “diversos escândalos de corrupção que aparecem em todos os seus governos e as suspeitas que agora pairam sobre o seu filho Lulinha”.
A troca de farpas ocorreu após Lula afirmar que a Lava Jato foi a “maior mentira montada neste país”, com o objetivo de tirá-lo da disputa presidencial de 2018. Em resposta, Moro relembrou sua participação na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, onde, segundo ele, a base governista impediu apurações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e sobre uma pessoa chamada Roberta Luchsinger, a quem o presidente teria chamado de “pilantra”.
Em fevereiro deste ano, uma sessão da CPMI do INSS foi marcada por um confronto entre parlamentares da oposição, que buscavam a quebra dos sigilos bancário e telefônico de Lulinha, e membros da base governista. Os governistas acusaram o então presidente da comissão, senador Carlos Viana (PSD-MG), de fraudar a contagem de votos. Posteriormente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino suspendeu o ato, alegando que a aprovação em bloco não seria permitida.
Durante a entrevista, Lula minimizou as acusações contra seu filho, afirmando que se tratavam apenas de “ilações tiradas de telefonemas”, mas declarou que o apoiaria a ser investigado, comprometendo-se a não intervir para protegê-lo.
Ataques a Mendonça e possível nova CPMI
Moro também acusou o governo de empregar “diversas manobras” para obstruir o trabalho do ministro André Mendonça, relator de operações importantes como a Sem Desconto (fraudes no INSS) e a Compliance Zero (caso Master), além de dois inquéritos contra Lulinha. O terceiro inquérito sobre o filho do presidente está sob a relatoria de Flávio Dino.
Em paralelo, o senador Carlos Viana estaria coletando assinaturas para a criação de uma nova CPMI, focada especificamente em Lulinha, com a proposta de chamá-la de “CPMI do Lulinha”. O parlamentar planeja divulgar os nomes dos apoiadores do requerimento na próxima semana, já adiantando a representação partidária dos deputados e senadores envolvidos.
As informações foram compiladas a partir de declarações divulgadas pelo senador Sergio Moro em suas redes sociais e de reportagens sobre a entrevista do presidente Lula ao Jornal Nacional.
