Juiz dos EUA declara falso registro que serviu de base para prisão de Filipe Martins a mando de Moraes
Juiz dos EUA declara falso registro que serviu de base para prisão de Filipe Martins a mando de Moraes

Juiz dos EUA declara falso registro que serviu de base para prisão de Filipe Martins a mando de Moraes

Registro de imigração usado pelo STF para prender Filipe Martins é considerado falso por juiz americano Um juiz federal dos Estados Unidos, Gregory A. Presnell, declarou que um registro de imigração americano, utilizado como base para a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de decretar a prisão preventiva de Filipe […]

Resumo

Registro de imigração usado pelo STF para prender Filipe Martins é considerado falso por juiz americano

Um juiz federal dos Estados Unidos, Gregory A. Presnell, declarou que um registro de imigração americano, utilizado como base para a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de decretar a prisão preventiva de Filipe Martins em fevereiro de 2024, é fraudulento. A afirmação foi feita durante uma audiência e confirmada pela defesa de Martins, segundo informações obtidas pelo jornal Folha de S. Paulo e reportadas pela Gazeta do Povo.

“Houve um registro falso feito nos sistemas da Patrulha de Fronteira que afetou uma pessoa de forma considerável. O governo reconhece a falsidade e a gravidade disso”, afirmou o juiz Presnell. Ele destacou que Martins foi “preso em decorrência” do registro falso e tem o direito de saber as circunstâncias e os responsáveis por sua criação.

Filipe Martins, ex-assessor de assuntos internacionais do governo Jair Bolsonaro, foi preso preventivamente por quase seis meses em 2024. A justificativa para a ordem de Moraes baseou-se em um suposto registro que indicava a entrada de Martins nos Estados Unidos em 30 de outubro de 2022. A defesa, contudo, apresentou provas de que ele estava no Brasil na data citada, contestando a veracidade da informação migratória.

A ação judicial nos EUA foi iniciada por Martins em janeiro deste ano, por meio da Lei de Liberdade de Informação (Foia), visando apurar a origem do registro falso junto ao Departamento de Estado americano e à Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP). O juiz Presnell, em março, defendeu a divulgação dos documentos relacionados ao caso pelo governo americano, criticando os argumentos para mantê-los sob sigilo como “sem sentido” e “absurdos”. Ele ordenou a entrega de documentos que esclareçam como o registro foi criado e quem está envolvido.

CBP já havia admitido inconsistência em registro migratório

A própria CBP já havia reconhecido, em outubro do ano passado, que Filipe Martins não havia entrado nos EUA na data indicada no registro de imigração. Na ocasião, a agência afirmou que o ministro Moraes havia se baseado em um “registro errôneo” para justificar a prisão de Martins.

Filipe Martins faz parte do grupo de réus condenados pelo STF por acusações relacionadas à tentativa de golpe de Estado em 2022, com pena fixada em 21 anos e seis meses de prisão.

Defesa de Martins alega perseguição política e lawfare

Em nota, o advogado de Martins, Ricardo Fernandes, classificou seu cliente como “um preso político, perseguido por um sistema que primeiro construiu a acusação e depois procurou elementos para justificá-la”. Segundo ele, a prisão de seis meses foi justificada por uma lista provisória, ignorando provas oficiais de sua permanência no Brasil e recorrendo a um registro migratório falso, cuja falsidade é agora “incontroversa até para as autoridades americanas”.

Fernandes enfatizou que a conclusão da Justiça dos EUA “expõe a dimensão desse escândalo e reforça, agora com os documentos ao alcance de todos, o que a defesa denuncia desde o início: houve perseguição, abuso de poder e lawfare”. Ele atribuiu a divulgação da verdade a um “jornalismo corajoso e independente”.

O STF foi contatado pela reportagem para comentar a decisão judicial americana e os desdobramentos do caso, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Tags:

Veja Também

Janja repudia falas de Renan Santos em debate e o acusa de misóginia

Janja repudia falas de Renan Santos em debate e o acusa de misóginia

ANPD multa TikTok em R$ 153,7 milhões por falhas na proteção de dados de menores

ANPD multa TikTok em R$ 153,7 milhões por falhas na proteção de dados de menores

Lula propõe 'Desenrola' para clubes de futebol endividados

Lula propõe ‘Desenrola’ para clubes de futebol endividados

Anvisa cancela registro de Elevidys, terapia de R$ 20 milhões para Duchenne

Anvisa cancela registro de Elevidys, terapia de R$ 20 milhões para Duchenne

Alexandre de Moraes declara 'falência' do modelo eleitoral e defende voto distrital misto

Alexandre de Moraes declara ‘falência’ do modelo eleitoral e defende voto distrital misto