Amnésia Imunológica do Sarampo: Entenda o Risco de Novas Infecções Após a Doença
Amnésia Imunológica do Sarampo: Entenda o Risco de Novas Infecções Após a Doença

Amnésia Imunológica do Sarampo: Entenda o Risco de Novas Infecções Após a Doença

O Impacto Oculto do Sarampo no Sistema Imunológico A infecção pelo sarampo, uma doença viral altamente contagiosa, pode deixar um rastro mais profundo do que os sintomas visíveis. Cientistas e médicos alertam para um fenômeno conhecido como amnésia imunológica, onde o sistema de defesa do corpo perde parte de sua memória sobre patógenos anteriores, aumentando […]

Resumo

O Impacto Oculto do Sarampo no Sistema Imunológico

A infecção pelo sarampo, uma doença viral altamente contagiosa, pode deixar um rastro mais profundo do que os sintomas visíveis. Cientistas e médicos alertam para um fenômeno conhecido como amnésia imunológica, onde o sistema de defesa do corpo perde parte de sua memória sobre patógenos anteriores, aumentando o risco de contrair outras infecções. A analogia utilizada é a de uma biblioteca imunológica cujas páginas, contendo informações sobre infecções passadas, são apagadas após a doença.

A bióloga Patrícia Rosa Vanderborght, do Richet Medicina e Diagnóstico da Rede D’Or, explica que o vírus do sarampo tem a capacidade de atingir células cruciais para a memória imunológica. Ao fazê-lo, ele reduz o repertório de microrganismos que o corpo reconhece, comprometendo a capacidade de produzir anticorpos rapidamente quando exposto a eles novamente. Essa perda de memória imunológica ocorre mesmo quando o número total de células de defesa parece retornar ao normal após a recuperação da infecção pelo sarampo.

Estudos publicados em revistas científicas como a Science e a Science Immunology corroboram essa tese. Pesquisadores acompanharam crianças não vacinadas e observaram que a infecção pelo sarampo eliminou uma porcentagem significativa do repertório de anticorpos preexistentes, variando entre 11% e 73% dependendo do indivíduo. Essa destruição das células de memória compromete a defesa do organismo contra outras doenças contra as quais a pessoa já havia desenvolvido proteção, paradoxalmente fortalecendo a imunidade específica contra o próprio sarampo.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Richet Medicina e Diagnóstico da Rede D’Or, estudos publicados nas revistas Science e Science Immunology, e informações da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

A Amnésia Imunológica: Um Fenômeno em Adultos e Crianças

Jessica Fernandes Ramos, membro da SBI e médica do Hospital Sírio-Libanês, esclarece que a amnésia imunológica não é exclusiva de crianças. Adultos também estão suscetíveis, pois suas células de memória possuem receptores vulneráveis ao vírus do sarampo. Embora ainda não haja dados precisos sobre a intensidade e duração desse fenômeno em adultos, estudos com gestantes que contraíram sarampo já indicaram perda de anticorpos. Atualmente, protocolos de pesquisa internacionais estão em andamento, inclusive no continente africano, para investigar especificamente os efeitos da amnésia imune em adultos.

O recente aumento de casos de sarampo em diversas regiões, como São Paulo, Estados Unidos e Europa, sugere que dados de surtos locais poderão fornecer respostas importantes, incluindo estatísticas brasileiras, antes mesmo da conclusão de estudos mais amplos. Até o momento, o estado de São Paulo registrou 23 casos confirmados em 2026, sendo 20 na capital.

Prevenção: A Vacinação como Principal Aliada

Diante desse cenário, a vacinação se apresenta como a ferramenta mais eficaz para a prevenção do sarampo e, consequentemente, da amnésia imunológica. O esquema vacinal recomendado pelo Ministério da Saúde prevê duas doses da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) para crianças, com a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses, associada à vacina tetraviral (que inclui varicela). Pessoas de 1 a 29 anos devem ter duas doses, enquanto adultos de 30 a 59 anos necessitam de pelo menos uma dose. Profissionais de saúde, independentemente da idade, precisam comprovar duas doses.

Em municípios como São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos, campanhas específicas ampliaram o público-alvo, permitindo a vacinação de qualquer pessoa de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico vacinal, a partir de 3 de agosto. A dose zero é destinada a crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias.

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