A esteatose hepática, popularmente conhecida como gordura no fígado, é uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura nas células hepáticas. Embora frequentemente assintomática e detectada incidentalmente durante exames de rotina, a condição pode evoluir e trazer sérias complicações à saúde. Uma pesquisa Datafolha de maio de 2025 revelou que 62% dos brasileiros se preocupariam muito ou extremamente ao descobrir a doença, mas 24% desconhecem os métodos de diagnóstico.
A hepatologista Cristiane Villela, membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia, explica que, em alguns casos, o acúmulo de gordura pode manifestar-se através de sintomas vagos como cansaço excessivo ou dor no lado direito do abdômen, próximo à localização do fígado. No entanto, esses sinais não são suficientes para um diagnóstico definitivo, que geralmente requer exames complementares.
O diagnóstico da esteatose hepática pode ser realizado por meio de exames de sangue, que avaliam os níveis das enzimas hepáticas, ou por exames de imagem, como a ultrassonografia de abdômen. Médicos recomendam que indivíduos pertencentes a grupos de risco busquem orientação profissional para rastreamento.
Grupos de Risco e Causas Comuns
Os principais fatores associados ao desenvolvimento da gordura no fígado incluem obesidade ou sobrepeso, diabetes mellitus (especialmente o tipo 2) ou pré-diabetes, hipertensão arterial e dislipidemia, que engloba níveis elevados de colesterol e triglicérides. O consumo excessivo de calorias, proveniente de alimentos ultraprocessados como salsichas, linguiças e biscoitos recheados, além de gorduras saturadas e hidrogenadas, são apontados como vilões nessa condição.
Melhorando a Saúde Hepática: Estilo de Vida é a Chave
A reversão e o controle da esteatose hepática passam, fundamentalmente, pela adoção de um estilo de vida mais saudável. A dieta mediterrânea, rica em vegetais, leguminosas, frutas, castanhas, azeite, peixes e cereais integrais, é frequentemente recomendada por especialistas como o endocrinologista Paulo Rosenbaum, do Einstein Hospital Israelita, por seus resultados comprovados.
É crucial reduzir ou eliminar o consumo de alimentos ultraprocessados, gorduras saturadas e hidrogenadas, bem como o excesso de açúcar. Paralelamente, a prática regular de atividade física é essencial. A Dra. Villela ressalta que qualquer movimento é benéfico, mas o ideal é a realização de pelo menos 30 minutos de exercício, cinco vezes por semana. Rosenbaum complementa que exercícios aeróbicos de intensidade moderada a alta, de 150 a 300 minutos semanais, combinados com treinos de força (musculação ou pilates) duas vezes por semana, formam o cenário ideal.
O consumo de álcool deve ser drasticamente reduzido ou abolido, pois acelera o processo inflamatório no fígado. Fumantes também devem ter atenção redobrada, pois o cigarro aumenta o risco cardiovascular em pacientes com esteatose.
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