K-beauty: A revolução coreana que conquista a pele e os consumidores brasileiros
K-beauty: A revolução coreana que conquista a pele e os consumidores brasileiros

K-beauty: A revolução coreana que conquista a pele e os consumidores brasileiros

O fascínio pela pele saudável e radiante da Coreia do Sul Vídeos de influenciadoras nas redes sociais e a popularização da cultura coreana impulsionaram o K-beauty no Brasil. Produtos como shots de retinal e tônicos redutores de poros tornaram-se itens essenciais na rotina de skincare das brasileiras. Esse interesse crescente reflete não apenas a admiração […]

Resumo

O fascínio pela pele saudável e radiante da Coreia do Sul

Vídeos de influenciadoras nas redes sociais e a popularização da cultura coreana impulsionaram o K-beauty no Brasil. Produtos como shots de retinal e tônicos redutores de poros tornaram-se itens essenciais na rotina de skincare das brasileiras. Esse interesse crescente reflete não apenas a admiração pela indústria de beleza da Coreia do Sul, mas também a chegada de marcas do gênero ao país, quebrando recordes de exportação.

As exportações de cosméticos sul-coreanos para o Brasil atingiram um marco histórico de US$ 54 milhões (cerca de R$ 282 milhões) no último ano, segundo o Ministério da Segurança de Alimentos e Medicamentos da Coreia do Sul. Em 2024, esse valor já soma US$ 31,5 milhões (R$ 164 milhões). O crescimento global do setor também é notável, com o mercado de beleza sul-coreano alcançando US$ 11,4 bilhões (R$ 59,5 bilhões) em 2025, superando os Estados Unidos e ficando atrás apenas da França em tamanho.

“Isso reflete não apenas o aumento do reconhecimento das marcas coreanas, mas também uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro, cada vez mais aberto à inovação, tecnologia e rotinas de skincare mais sofisticadas”, avalia Seunghyung Lee, representante-chefe da Korea International Trade Association (Kita). A instituição, que abriu seu primeiro escritório na América Latina em São Paulo, reforça a importância estratégica do mercado brasileiro.

A filosofia central do K-beauty, segundo Go Si-hwan, pesquisadora especializada no tema, é a saúde da pele a longo prazo. A abordagem foca na prevenção de sinais de envelhecimento e problemas dermatológicos através de rotinas de skincare multifacetadas, que vão desde a limpeza até a proteção solar. A maquiagem, nesse contexto, atua como um complemento natural, realçando a beleza sem esconder imperfeições. O ideal da “glass skin”, pele brilhante e hidratada, é um dos marcos dessa tendência.

A febre dos K-dramas e K-pop, aliada ao preço acessível dos produtos, são fatores cruciais para a disseminação do K-beauty. Conteúdos de celebridades coreanas compartilhando suas rotinas de cuidados com a pele amplificam ainda mais essa influência. Além dos fãs da cultura coreana, o segmento ganhou tração no ocidente com o uso de produtos por celebridades como Hailey Bieber, Kylie Jenner, Selena Gomez e Dua Lipa.

A qualidade, a inovação e a agilidade em se adaptar a novas tendências são diferenciais da indústria sul-coreana. Muitas formulações utilizam ingredientes naturais e focam em compostos como centella asiática ou PDRN, como aponta a especialista. O investimento em marketing digital e redes sociais tem sido fundamental para a viralização de itens, impulsionando as vendas.

Jimmy Lee, diretor da KS Cosméticos, destaca o papel das redes sociais e dos K-dramas, especialmente entre o público mais maduro, no boom do K-beauty no Brasil. O que ganha destaque no TikTok e Instagram dita as vendas no site da empresa, cujas clientes têm, em média, mais de 35 anos.

Marcas nacionais em sintonia com o K-beauty

O K-beauty não apenas conquistou o consumidor brasileiro, mas também passou a ditar tendências para marcas nacionais. Empresas como Quem Disse, Berenice? e Ricca lançaram produtos inspirados em tendências coreanas, como batons e blushes cremosos e discos redutores de poros. Mari Maria, uma das empreendedoras do setor, anunciou uma linha com tecnologia e ingredientes sul-coreanos, demonstrando a força do segmento.

Uma pesquisa do Serasa em parceria com o instituto Opinion Box revelou que 45% dos entrevistados demonstram interesse em skincare e beleza coreanos, e 30% admitiram ter adquirido produtos do segmento nos últimos 12 meses. O estudo, que contou com 1.453 voluntários, foi realizado em parceria com o Centro Cultural Coreano no Brasil.

A expansão do acesso e os desafios da importação

Atualmente, produtos de K-beauty são encontrados em redes de perfumarias, farmácias e lojas de departamento, como Raia Conceito, Sephora e Renner, ampliando o acesso a um público mais diversificado. Até recentemente, a presença desses itens no mercado brasileiro era limitada.

Os entraves para a entrada de cosméticos sul-coreanos no Brasil incluem altos impostos de importação, tributação e a demora na aprovação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A distância geográfica também encarece e prolonga os processos logísticos, impactando o preço final ao consumidor. “Antes, o Brasil era visto como um mercado geograficamente distante e com altas barreiras. O país é reconhecido como um mercado complexo, onde os processos não acontecem de forma rápida ou imediata”, explica o representante da Kita.

O cenário, no entanto, tem se transformado positivamente. Companhias veem o Brasil como um destino estratégico, com a América Latina despontando como a próxima fronteira do K-beauty, segundo a Euromonitor Internacional. O Brasil lidera o consumo na região e é o terceiro maior mercado de beleza e cuidados pessoais do mundo.

Acordos de aproximação econômica e comercial entre Brasil e Coreia do Sul têm facilitado a entrada de produtos. A visita do presidente sul-coreano em julho, com foco na ampliação da cooperação em diversos setores, incluindo cosméticos, e eventos como o “K-beauty Glow Week”, com participação de 90 empresas, evidenciam essa nova fase. Em 2025, a disponibilidade de marcas sul-coreanas no e-commerce brasileiro cresceu 159%.

Um memorando assinado pelo presidente Lula durante sua visita à Coreia do Sul em fevereiro visa aproximar a Anvisa e o órgão regulador sul-coreano, simplificando certificações e reduzindo a burocracia na entrada de produtos. O processo de regularização na Anvisa envolve análise técnica da composição, testes de segurança e avaliação de ingredientes.

Apesar da facilitação nas importações, o processo ainda é moroso devido ao transporte, majoritariamente marítimo, conforme Rafaela Kamachi, diretora de marketing da Soneda. No entanto, a rede Soneda, pioneira na venda de K-beauty em lojas físicas desde 2018, observou um crescimento de 1100% nas vendas em 2023, com a segmentação de produtos asiáticos em espaços próprios, impulsionada pela viralização e pelo boca a boca.

O K-beauty transita de uma tendência de nicho asiático para um mercado competitivo com marcas europeias e americanas tradicionais, consolidando-se como um componente do

Tags:

Veja Também

Governo Lula lança sistema de compras públicas eletrônicas com ranking automático

Governo Lula lança sistema de compras públicas eletrônicas com ranking automático

Inglaterra reconhece 'misoginia médica' como falha estrutural do sistema de saúde

Inglaterra reconhece ‘misoginia médica’ como falha estrutural do sistema de saúde

De mecânico a influenciador: Lito Sousa mobiliza milhões após diagnóstico de doença rara

De mecânico a influenciador: Lito Sousa mobiliza milhões após diagnóstico de doença rara

Esqueleto do século XIV pode ser a primeira vítima confirmada de um trabuco, arma medieval devastadora

Esqueleto do século XIV pode ser a primeira vítima confirmada de um trabuco, arma medieval devastadora

STF amplia gratificação para assessores com valores superiores aos do STJ

STF amplia gratificação para assessores com valores superiores aos do STJ