Lindbergh Farias aciona STF contra investigação da Câmara sobre acusação de estupro contra Gaspar
Lindbergh Farias aciona STF contra investigação da Câmara sobre acusação de estupro contra Gaspar

Lindbergh Farias aciona STF contra investigação da Câmara sobre acusação de estupro contra Gaspar

Deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) entrou com uma reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a anulação de uma investigação conduzida pela Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados. A apuração, que tramita desde abril, envolve acusações de estupro contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-RJ) e cita Lindbergh Farias como suposto articulador de uma denúncia falsa. […]

Resumo

Deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) entrou com uma reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a anulação de uma investigação conduzida pela Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados. A apuração, que tramita desde abril, envolve acusações de estupro contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-RJ) e cita Lindbergh Farias como suposto articulador de uma denúncia falsa.

A ação de Lindbergh Farias no STF busca a invalidação de um depoimento prestado por um homem que teria participado do aliciamento de uma jovem para que ela se apresentasse como vítima de estupro. A defesa do petista argumenta que o procedimento investigatório instaurado pela Câmara, a pedido do próprio Gaspar, é nulo por diversos vícios, incluindo usurpação de competência do STF e conflito com diligências já determinadas pela Corte.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo jornal O Globo e pela Agência Câmara de Notícias.

Alegações de nulidade e usurpação de competência

Na peça assinada pelo advogado Reinaldo Santos de Almeida, a defesa de Lindbergh Farias sustenta que o procedimento da Polícia Legislativa possui “vícios gravíssimos” e “nulidade absoluta”. Entre os argumentos centrais estão a alegação de que a investigação da Câmara usurpou a competência do STF, uma vez que qualquer apuração criminal envolvendo parlamentares com foro privilegiado deveria ser supervisionada pela Corte desde o início. Além disso, a defesa aponta para uma inversão na hierarquia das normas, com a Polícia Legislativa invocando resoluções internas da Câmara para requisitar dados telefônicos, o que, segundo os advogados, não possui força de lei para relativizar direitos fundamentais de terceiros.

Outro ponto levantado é a exclusividade da Polícia Federal para exercer funções de polícia judiciária da União, conforme previsto na Constituição Federal. A defesa de Lindbergh Farias argumenta que a atuação da Polícia Legislativa se restringe à segurança patrimonial e à manutenção da ordem nos recintos da Casa. Por fim, a reclamação destaca o conflito direto com diligências já determinadas pelo ministro Gilmar Mendes no STF, que havia solicitado a apuração dos mesmos números de telefone requisitados administrativamente pela Polícia Legislativa.

Lindbergh Farias pede fim da investigação e apuração de abuso de autoridade

Diante do cenário, Lindbergh Farias solicitou liminar ao STF para suspender imediatamente o trâmite do Boletim de Ocorrência que originou a investigação, além de sustar os efeitos das requisições de dados telefônicos e decretar a nulidade do procedimento. O deputado petista também pediu a apuração de abuso de autoridade, com remessa dos autos ao Procurador-Geral da República (PGR) para avaliar a ocorrência de possíveis ilícitos. Por meio de habeas corpus, Lindbergh Farias requer o trancamento da investigação.

Gaspar nega acusação e caso tem repercussão política

O deputado Alfredo Gaspar sempre negou a acusação de estupro desde o seu surgimento, inclusive se colocando à disposição para realizar um exame de DNA. A denúncia veio a público no final de março, durante o encerramento dos trabalhos da CPMI do INSS, e foi vista por alguns como uma tentativa de esvaziar a investigação parlamentar. O caso ganhou maior repercussão política com a indicação de Gaspar para compor a chapa como vice na candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, o que levou o ministro Gilmar Mendes a cobrar maiores esclarecimentos sobre a denúncia.

A senadora Soraya Thronicke, que também protocolou a queixa-crime contra Gaspar na época, manteve sua posição e informou que prestará os devidos esclarecimentos no prazo legal.

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