Impa e China intensificam colaboração científica e tecnológica
O Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) tem intensificado seus esforços para fortalecer a colaboração com instituições de pesquisa e ensino na China. Uma visita de trabalho realizada em setembro passado pelo instituto evidenciou a importância crescente do país asiático no cenário científico global e a necessidade de instituições brasileiras de ciência e tecnologia aprofundarem suas interações com as congêneres chinesas.
A iniciativa visa construir relações de longo prazo, complementando as parcerias já existentes com países ocidentais. O instituto reconhece que o centro de massa da ciência planetária está se deslocando para o Oriente, com a China emergindo como um polo de inovação e desenvolvimento. Conforme observado durante a visita, a China representa um cenário onde o futuro da ciência e tecnologia está sendo moldado ativamente.
As informações foram reunidas a partir de declarações do Impa.
Programa Brasil-China de Líderes em Inovação Científica e Tecnológica
Uma das primeiras ações concretas desse estreitamento de laços é o Programa Brasil-China de Líderes em Inovação Científica e Tecnológica, estabelecido em parceria entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Universidade Beihang. A Beihang, reconhecida como uma das dez melhores universidades do mundo em engenharia e líder global na área aeronáutica e aeroespacial, firmou dois termos de parceria com o Impa durante a visita em setembro.
O programa oferece a 120 estudantes brasileiros de pós-graduação a oportunidade de estagiar por um mês no campus internacional da universidade chinesa, localizado em Hangzhou. Entre os participantes estão 15 doutorandos do Impa, liderados pelo cientista de projetos Francisco Ganacim. A programação inclui atividades acadêmicas e culturais, como palestras, visitas a empresas e unidades de pesquisa.
Expansão de Perspectivas e Intercâmbio Acadêmico
Francisco Ganacim destacou o expressivo investimento em educação pública e o forte comprometimento da China com o desenvolvimento científico, além de ressaltar a calorosa recepção oferecida aos estudantes brasileiros. A doutoranda Mayumi Shiguihara, por sua vez, descreveu a experiência como uma oportunidade de expandir perspectivas e imergir em uma cultura rica em contrastes, comparando a transição a um salto de dimensões em espaços vetoriais.
Em agosto, será a vez de 12 estudantes do Impa Tech, programa de graduação do instituto, embarcarem para estágios de cinco meses nas universidades Peking e Beihang, com financiamento totalmente privado. Simultaneamente, estudantes dessas universidades chinesas serão recebidos no Brasil. O plano também inclui uma visita de duas semanas à China para 26 estudantes do ensino médio, medalhistas de ouro da Obmep 2025, a convite do Impa e da província de Zhejiang.
Essas iniciativas representam o início de uma colaboração que visa posicionar Brasil e China como parceiros em igualdade de condições no avanço da matemática e áreas correlatas. O lado chinês demonstrou grande abertura para essa cooperação, e o Impa responde com entusiasmo, visando reciprocidade nessa relação estratégica.
