Investigação sobre filho de Lula reacende debate sobre ‘velhas estratégias’ e relações no poder
Uma nova investigação da Polícia Federal (PF), autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, mira Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A apuração busca determinar se Lulinha atuou para favorecer a empresa World Cannabis junto ao Ministério da Saúde, em um caso que envolve Antonio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A notícia reacende discussões sobre a postura do presidente em situações de crise e sobre a dinâmica entre o poder executivo e o judiciário.
A PF apontou que Lulinha teria agido em benefício da World Cannabis, empresa ligada a Antunes, que já esteve sob investigação em outros contextos. A informação sobre a autorização do inquérito chegou na quarta-feira (29), confirmada por fontes ligadas à investigação nesta quinta-feira (30). O próprio presidente Lula comentou o caso, afirmando que, se o filho estiver certo, terá seu apoio, mas que ele sabe das consequências de atos errados, referindo-se a experiências passadas de prisão.
O escritor Francisco Escorsim, em análise divulgada no programa “Última Análise” desta quinta-feira (30), aponta para um padrão de comportamento: “Antes de Lula se complicar, ele já recorreu à velha estratégia, de culpar outra pessoa. Lula nunca sabe de nada e a culpa é sempre do outro. Até quando sua ex-esposa faleceu, ele colocou a responsabilidade nela”, relembrou Escorsim.
Essa nova investigação se soma a outros episódios recentes envolvendo o filho do presidente. O professor da FGV Daniel Vargas destaca a sequência de fatos: “As coisas se somam e formam um tecido que parece se conectar. A investigação da fraude do INSS já trouxe o nome do filho do presidente. Depois a viagem a Portugal paga por lobista. Agora envolve autoridades ligadas ao governo”, pontua Vargas.
Aproximações e críticas no cenário político
Em outro ponto levantado pelo programa, a relação entre o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF) foi tema de debate. Lula convidou Moraes para um “café” após um evento no Palácio do Planalto, um gesto interpretado por alguns como uma tentativa de aproximação em um cenário político complexo. Escorsim avalia a conjuntura: “Essa mistura de coisas, com a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, às vésperas da eleição, é muita fumaça, para que as pessoas acreditem que não há fogo. Este é o problema”, afirma.
Daniel Vargas também criticou as interações, especialmente a recente com Moraes: “O nível de esgar jurisdicional que Moraes causa com esse tipo de atitude é enorme. E não é a primeira vez que ele fez isso”, disse Vargas, relembrando um jantar promovido por Lula com integrantes do STF em julho de 2025, após sanções dos Estados Unidos contra o Brasil, que também incluíram Moraes.
O programa “Última Análise” é uma produção ao vivo da Gazeta do Povo, exibida no YouTube de segunda a quinta-feira, das 19h às 20h30, com o objetivo de discutir temas relevantes para o país de forma aprofundada e respeitosa.
