Filho de Jair Bolsonaro minimiza ofensas de Javier Milei a Alexandre de Moraes
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) saiu em defesa do presidente argentino, Javier Milei, após este ter chamado o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “lixo careca”. Em entrevista à emissora argentina LN+, Eduardo Bolsonaro afirmou que Milei foi “até muito educado” em sua declaração e aproveitou para acusar o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ter interferido na eleição presidencial argentina de 2023.
As declarações de Eduardo Bolsonaro surgem em um contexto de tensões entre o governo brasileiro e o argentino, especialmente após o próprio Milei ter atacado o presidente Lula, chamando-o de “ladrão” e “presidiário” durante um evento do Partido Liberal (PL) em São Paulo. Na ocasião, Milei também expressou frustração por não ter sido autorizado a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Eduardo Bolsonaro rebateu as críticas a Milei, argumentando que a fala do presidente argentino foi uma resposta a ações que ele considerou mais graves. “O errado aconteceu quando ocorreu a eleição de Milei contra Massa, quando Lula conseguiu US$ 1 bilhão para ajudar Massa, e enviou assessores brasileiros para ajudar o Massa. Isso sim é uma interferência”, declarou o ex-deputado, referindo-se a um empréstimo de US$ 1 bilhão do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) aprovado pelo governo brasileiro em 2023, quando Sergio Massa era ministro da Economia argentino.
Alegações de interferência e a defesa de Milei
O filho de Jair Bolsonaro detalhou sua acusação, mencionando a então ministra Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) como figura central na liberação do empréstimo. Segundo Eduardo, a intenção seria criar uma “artificialidade momentânea na economia da Argentina” para favorecer Massa. Ele afirmou que tais eventos foram amplamente noticiados na imprensa brasileira.
Na época da liberação do crédito, Simone Tebet negou qualquer interferência do presidente Lula no processo, afirmando que a decisão seguiu os trâmites usuais e que os países membros do CAF votariam a favor. A declaração de Eduardo Bolsonaro, no entanto, contrasta com essa versão oficial.
Ao ser questionado sobre a fala de Milei a respeito de Alexandre de Moraes, Eduardo foi enfático. “Certamente, acredito que Milei foi até muito educado, porque para mim uma pessoa que já matou o Clezão na prisão, uma pessoa que não deixa minha filha de cinco anos, que não tem nada a ver com o que está acontecendo no Brasil, ou mesmo minha mulher, que teve suas contas bancárias congeladas por este louco juiz, [chamar de] lixo, eu acho que foi até muito suave”, disse, embora sem especificar o impedimento imposto à sua filha.
Contexto pessoal e jurídico
Eduardo Bolsonaro encontra-se nos Estados Unidos, onde obteve o green card recentemente. Ele tem evitado retornar ao Brasil, alegando ser vítima de perseguição política. O ex-parlamentar foi condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão por acusações relacionadas à coação no curso do processo.
A menção a “Clezão” refere-se a Cleriston Pereira da Cunha, que morreu de infarto na Papuda em novembro de 2023, enquanto aguardava julgamento por sua participação nos atos de 8 de janeiro. A reportagem buscou comentários da Presidência da República e do STF sobre as declarações de Eduardo Bolsonaro, mas ainda não obteve resposta.
