Manual de Boas Práticas Sugere Mudanças em Cobertura de Atletismo Feminino para Evitar Sexualização
Manual de Boas Práticas Sugere Mudanças em Cobertura de Atletismo Feminino para Evitar Sexualização

Manual de Boas Práticas Sugere Mudanças em Cobertura de Atletismo Feminino para Evitar Sexualização

Guia busca redefinir o olhar da mídia sobre o atletismo feminino A forma como as competições de atletismo feminino são transmitidas pela televisão está sob escrutínio. Um novo manual, lançado pela União Europeia de Radiodifusão (EBU) em parceria com a European Athletics, apresenta recomendações detalhadas para evitar a sexualização e focar na performance atlética. O […]

Resumo

Guia busca redefinir o olhar da mídia sobre o atletismo feminino

A forma como as competições de atletismo feminino são transmitidas pela televisão está sob escrutínio. Um novo manual, lançado pela União Europeia de Radiodifusão (EBU) em parceria com a European Athletics, apresenta recomendações detalhadas para evitar a sexualização e focar na performance atlética. O documento, intitulado “Raising the Bar: Guidelines for Respectful Media Coverage in Women’s Athletics”, aborda aspectos cruciais como o posicionamento das câmeras, a escolha dos enquadramentos e a edição de replays, buscando garantir uma cobertura mais respeitosa e técnica.

A publicação, com 23 páginas, surge como uma resposta à percepção de que algumas práticas de transmissão podem desviar o foco da habilidade das atletas, concentrando-se em aspectos que podem ser interpretados como objetificação. O guia utiliza exemplos visuais comparativos de competições reais para ilustrar quais escolhas de filmagem e edição contribuem para a compreensão da prova e quais devem ser evitadas.

As informações foram reunidas a partir de um guia lançado pela EBU em junho.

Foco na Técnica e Performance Atlética

Entre as principais recomendações, o manual sugere o fim de práticas como closes prolongados em momentos inadequados, o uso de câmeras posicionadas muito abaixo das atletas, enquadramentos por trás das competidoras ou a exibição de replays em câmera lenta sem uma justificativa técnica clara. A EBU argumenta que tais imagens pouco agregam à compreensão da disputa e podem, inadvertidamente, desviar a atenção do mérito esportivo.

No salto em altura, por exemplo, a orientação é priorizar planos abertos que capturem toda a sequência do movimento, desde a corrida de aproximação até a passagem sobre o sarrafo, valorizando a técnica empregada. Imagens capturadas de baixo para cima durante o salto são apontadas como inadequadas. De forma similar, no salto com vara, o guia recomenda que os replays sejam concluídos assim que a atleta superar a barra, a menos que a aterrissagem ofereça informações técnicas relevantes.

Para os saltos horizontais, como a distância e o triplo, sugere-se a preferência por planos laterais e enquadramentos amplos, complementados por gráficos explicativos que auxiliem na compreensão técnica. Nas corridas, a recomendação é evitar aproximações excessivas no momento da largada e logo após a chegada, quando as atletas frequentemente se ajoelham ou deitam para recuperar o fôlego, optando por enquadramentos que respeitem o momento de recuperação.

Colaboração e Impacto Futuro

O desenvolvimento do guia contou com a participação de ex-atletas olímpicas renomadas, como Holly Bradshaw, Ivana Španović e Blanka Vlašić, além de profissionais experientes em transmissões televisivas, incluindo diretores, operadores de câmera e comentaristas. A atleta Holly Bradshaw compartilhou em depoimento que, em algumas situações, a preocupação com o enquadramento das câmeras chegou a desviar sua concentração durante as competições, devido ao receio de que as imagens fossem retiradas de contexto e usadas indevidamente nas redes sociais.

Embora as diretrizes apresentadas não sejam de caráter obrigatório, espera-se que elas influenciem as futuras coberturas. O Campeonato Europeu de Atletismo, com início marcado para 10 de agosto em Birmingham, no Reino Unido, deve ser um dos primeiros grandes eventos a adotar o manual como referência para suas transmissões, sinalizando uma mudança de paradigma na forma como o atletismo feminino é apresentado ao público.

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