A fumaça intensa de incêndios florestais pode transformar o céu em um espetáculo alaranjado, alterando a percepção das cores do Sol. Esse fenômeno, que tem sido observado com mais frequência, é resultado direto de princípios da física atmosférica. A dispersão da luz solar pelas partículas em suspensão no ar é a chave para entender essa mudança drástica na aparência do céu.
A luz que recebemos do Sol é, na verdade, um espectro de cores, cada uma com um comprimento de onda diferente. Nossos olhos percebem comprimentos de onda mais curtos como azul e violeta, enquanto os comprimentos de onda mais longos são vistos como vermelho e laranja. A atmosfera terrestre age como um filtro natural. As moléculas de ar, muito pequenas, dispersam com maior facilidade os comprimentos de onda mais curtos (azuis), o que explica por que o céu é predominantemente azul em dias claros.
A intervenção das partículas de fumaça
Quando grandes incêndios florestais ocorrem, uma quantidade massiva de fumaça é liberada na atmosfera. As partículas de fuligem e outros resíduos da queima são significativamente maiores do que as moléculas de ar. Essa diferença de tamanho faz com que essas partículas maiores sejam capazes de dispersar também os comprimentos de onda mais longos da luz solar, como o vermelho e o laranja. O resultado é que mais luz nessas tonalidades chega até nossos olhos, conferindo ao céu e ao disco solar um aspecto avermelhado ou alaranjado.
Fenômenos semelhantes ocorrem em outras situações que liberam partículas na atmosfera. Erupções vulcânicas, que lançam cinzas e gases a grandes altitudes, ou áreas com altos índices de poluição do ar, também podem alterar a cor do céu. Em todos esses casos, a presença de partículas em suspensão, sejam elas de fumaça, cinzas ou poluentes, interfere na forma como a luz solar é dispersada, privilegiando os tons mais quentes do espectro.
A luz no horizonte e outros efeitos
A dispersão atmosférica explica também por que o Sol ganha tons dramáticos ao nascer e se pôr. Nesses momentos, a luz solar precisa atravessar uma camada mais espessa da atmosfera para chegar até nós. Quanto maior a distância percorrida, mais luz azul é dispersada para longe da nossa linha de visão, permitindo que os tons de vermelho e laranja predominem, pintando o céu com cores vibrantes. Um efeito parecido é observado durante eclipses lunares totais, quando a luz solar filtrada pela atmosfera da Terra ilumina a Lua com uma tonalidade avermelhada.
As informações foram reunidas a partir de conhecimentos de física atmosférica e observações de fenômenos como incêndios florestais e erupções vulcânicas.
