Justiça dos EUA reativa mais de 500 processos que ligam Tylenol ao autismo
Justiça dos EUA reativa mais de 500 processos que ligam Tylenol ao autismo

Justiça dos EUA reativa mais de 500 processos que ligam Tylenol ao autismo

Tribunal de Apelações dos EUA reverte decisão e permite avanço em centenas de ações contra Tylenol Um tribunal federal americano reacendeu na segunda-feira (13) mais de 500 processos que acusam a Kenvue, fabricante do Tylenol, de falhar em alertar sobre uma suposta ligação entre o uso do analgésico durante a gravidez e o desenvolvimento de […]

Resumo

Tribunal de Apelações dos EUA reverte decisão e permite avanço em centenas de ações contra Tylenol

Um tribunal federal americano reacendeu na segunda-feira (13) mais de 500 processos que acusam a Kenvue, fabricante do Tylenol, de falhar em alertar sobre uma suposta ligação entre o uso do analgésico durante a gravidez e o desenvolvimento de autismo e TDAH em crianças. A decisão do Tribunal de Apelações do 2º Circuito dos EUA, em Manhattan, anulou a exclusão de depoimentos cruciais de médicos especialistas, que haviam sido considerados irrelevantes por um juiz de primeira instância.

A questão ganhou notoriedade após declarações de autoridades de saúde americanas em setembro, levantando a possibilidade de uma conexão entre o paracetamol, princípio ativo do Tylenol, e transtornos neurológicos infantis. Contudo, a comunidade científica majoritariamente não reconhece evidências sólidas que comprovem essa relação. Médicos e organizações de saúde ainda consideram o paracetamol seguro e a opção preferencial para o tratamento de dor e febre em gestantes.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Reuters.

Depoimentos de especialistas são considerados válidos

Em uma análise detalhada de 64 páginas, o juiz Guido Calabresi argumentou que o depoimento dos três médicos especialistas, incluindo o reitor da Escola de Saúde Pública de Harvard, Andrea Baccarelli, baseava-se em metodologias científicas aceitas e representava interpretações válidas dentro de um campo onde discordâncias são comuns. A decisão do tribunal não se pronunciou sobre a causalidade, mas sim sobre a validade das evidências apresentadas pelos demandantes.

Além de Baccarelli, os depoimentos de Eric Hollander, professor de psiquiatria do Albert Einstein College of Medicine, e Brandon Pearson, toxicologista da Universidade Columbia, foram considerados indevidamente excluídos. A advogada dos pais, Ashley Keller, expressou satisfação com a unanimidade da decisão, afirmando que a corte reconheceu a confiabilidade dos métodos científicos aplicados pelos peritos.

Kenvue reafirma segurança do produto e planeja contestar novamente

Em resposta, a Kenvue reiterou em comunicado que o Tylenol é um medicamento seguro e que a decisão judicial não altera o consenso científico. A empresa, que se desmembrou da Johnson & Johnson em 2023, afirmou que pretende contestar novamente a confiabilidade das opiniões dos peritos em futuras etapas judiciais.

Os processos foram originalmente arquivados em dezembro de 2024 pela juíza distrital Denise Cote, que havia criticado a metodologia das testemunhas expertas. Com a nova decisão, os casos retornam à juíza Cote para prosseguimento.

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