Ministro do STF ordena restrição de viagem para publicitário investigado no caso Master
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste sábado (11) a apreensão do passaporte do publicitário Thiago Miranda. A medida cautelar foi expedida no âmbito de uma investigação sigilosa relacionada ao caso Master, que apura a atuação de um grupo com características de organização criminosa voltado para desacreditar instituições financeiras. Miranda foi contratado para atuar na contenção de uma crise de imagem ligada ao empresário Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master.
A decisão do STF, confirmada à reportagem, ocorre após manifestação do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que teria enviado um ofício ao ministro solicitando medidas urgentes contra Miranda por suposto risco de fuga. Embora a solicitação parlamentar tenha sido apontada como um possível gatilho para a ação, não há confirmação oficial de que a determinação de Mendonça tenha sido uma resposta direta ao pedido de Farias.
Thiago Miranda foi um dos alvos da 10ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. Durante a ação, foram apreendidos equipamentos eletrônicos na residência do publicitário. As investigações buscam esclarecer a criação de um grupo, supostamente liderado por Miranda a pedido de Vorcaro, com o objetivo de descredibilizar as entidades financeiras responsáveis pela liquidação do Banco Master. O projeto de comunicação investigado teria as iniciais de Vorcaro, sendo denominado “Projeto DV”.
Segundo as apurações, Miranda teria sido encarregado de recrutar jornalistas e influenciadores para disseminar informações e também de monitorar pessoas consideradas desafetos de Daniel Vorcaro no mercado e na imprensa. Tanto Miranda quanto sua defesa negam veementemente as acusações.
Defesa de Miranda critica vazamentos e reafirma colaboração
A defesa de Thiago Miranda divulgou uma nota pública na qual expressa perplexidade com o vazamento seletivo de informações, afirmando que o publicitário tomou conhecimento da apreensão de seu passaporte pela imprensa, antes mesmo de ser oficialmente notificado. A nota ressalta a postura colaborativa de Miranda desde o início das investigações e nega a prática de qualquer irregularidade.
“A defesa nega enfaticamente a prática de qualquer irregularidade por parte de seu constituinte, confiante de que, ao final da regular instrução, restará plenamente demonstrada a improcedência das suspeitas que lhe são atribuídas”, declara o comunicado. A defesa também reafirma o respeito à livre imprensa e a confiança na atuação do Poder Judiciário, mas repudia os vazamentos, considerando que comprometem o exercício do contraditório e da ampla defesa.
Thiago Miranda, que já teve autorizações anteriores para buscas e apreensões expedidas por Mendonça, fica agora impedido de deixar o país. A investigação segue em sigilo judicial, com a expectativa de que mais desdobramentos surjam à medida que a apuração avança.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo STF e pela imprensa.
