A trajetória de Sergio Roberto de Carvalho, o ex-major da Polícia Militar que se tornou um dos maiores nomes do tráfico internacional de drogas, está sendo desvendada em um julgamento na Bélgica. Conhecido como o ‘Pablo Escobar brasileiro’, Carvalho construiu um império bilionário com a venda de cocaína, operando uma complexa rede logística que se estende da América do Sul à Europa. A Polícia Federal estima que o ex-policial lucrou mais de R$ 2 bilhões com o envio de 50 toneladas da droga, e mais de R$ 1 bilhão em bens ligados a ele foram apreendidos no Brasil, incluindo 36 aviões, imóveis e veículos de luxo. As informações foram apuradas pela equipe de reportagem da Gazeta do Povo.
A relevância de Sergio Roberto de Carvalho no cenário do narcotráfico mundial é comparada a figuras como Pablo Escobar e ‘El Chapo’ Guzmán. Sua atuação ia além do simples fornecimento de entorpecentes; Carvalho era o cérebro por trás de uma rede logística completa, gerenciando ativamente a distribuição e assegurando a divisão dos lucros diretamente no mercado europeu. Essa estrutura permitia o transporte de grandes quantidades de cocaína, que eram adquiridas na Bolívia e no Peru, transportadas até cidades como Dourados (MS) e, posteriormente, enviadas para o porto de Paranaguá (PR). De lá, a droga era ocultada em contêineres para cruzar o Atlântico.
Um Histórico Criminal de Décadas
A carreira criminosa de Carvalho remonta aos anos 80, quando iniciou como contrabandista de pneus e uísque na fronteira com o Paraguai. Ao longo de décadas, acumulou passagens pela polícia por tráfico de drogas, chefiar jogos de azar e desvio de dinheiro de inventários judiciais. Somente em 2018, após uma longa trajetória no crime, ele foi expulso da Polícia Militar e perdeu o direito à aposentadoria, um reflexo da dificuldade das autoridades em desmantelar suas operações.
Colaboração Internacional para Combater o Crime
A investigação sobre as atividades de Carvalho e sua rede envolve uma ampla colaboração internacional. A Polícia Federal brasileira trabalha em conjunto com autoridades da Bélgica, Portugal, Espanha, Holanda, Alemanha e Emirados Árabes Unidos. O julgamento principal ocorre na Bélgica, onde o ex-major é acusado de comandar um dos maiores esquemas de tráfico de cocaína já documentados, utilizando aplicativos de mensagens criptografadas para coordenar suas ações. A operação Enterprise, no Brasil, já apreendeu uma vasta quantidade de bens que evidenciam a dimensão financeira do império construído pelo ex-policial.
