Candidatura de Flávio Bolsonaro mostra resiliência em meio a turbulências
Apesar das recentes crises que abalaram a campanha, como a divulgação do financiamento do filme “Dark Horse” pelo Banco Master e o vídeo com críticas de Michelle Bolsonaro, a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência demonstra uma recuperação em pesquisas de intenção de voto. Uma nova pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (29), aponta que o presidenciável da direita conseguiu estancar a trajetória de queda e manter seu eleitorado fiel, mantendo-se competitivo para um eventual segundo turno.
Segundo analistas políticos, a estabilização das intenções de voto sugere que o impacto das polêmicas já foi absorvido por uma parcela significativa do eleitorado. Os números trazem um alívio para a pré-campanha, indicando que os danos causados pelos episódios podem ter atingido seu limite de repercussão negativa, embora o cenário ainda seja passível de mudanças.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela pesquisa BTG Pactual/Nexus e análises de especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo.
Cenário eleitoral e desempenho em pesquisas
No cenário de primeiro turno, a pesquisa BTG Pactual/Nexus coloca Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança com 42% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar com 34%, um ponto percentual a mais que no levantamento anterior, consolidando sua posição diante dos demais pré-candidatos.
A simulação de segundo turno, no entanto, revela um cenário mais acirrado. Lula e Flávio Bolsonaro aparecem em empate técnico, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O petista registra 47% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro chega a 43%, também com um ganho de um ponto percentual em relação à pesquisa anterior.
A pesquisa ouviu 2.000 entrevistados entre os dias 26 e 28 de junho de 2026, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais. O registro no TSE é BR-08521/2026.
Crises e seus impactos na campanha
O episódio envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, que veio à tona com vazamentos de conversas e pedidos de recursos de Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, causou abalos na candidatura, elevando a taxa de rejeição para 52%. Essa polêmica financeira e política representa um dos principais desafios para a campanha.
Adicionalmente, a polêmica envolvendo Michelle Bolsonaro, madrasta do pré-candidato, impactou a percepção de públicos específicos, como mulheres e eleitores evangélicos, grupos com os quais Flávio já enfrentava resistência. A postura da ex-primeira-dama em relação à candidatura é vista como um fator que pode influenciar a reorganização do campo conservador.
Desdobramentos e perspectivas futuras
Analistas apontam que a corrida presidencial continuará a ser influenciada pelos desdobramentos do caso Master e pela atuação de Michelle Bolsonaro. Espera-se que as investigações da Polícia Federal sobre o escândalo financeiro tragam novos elementos, aumentando a transparência e impactando o ambiente eleitoral.
O cientista político Ismael Almeida sugere que o eleitorado ainda não está plenamente exposto a todos os fatos relacionados à candidatura de Bolsonaro. A avaliação mais precisa do cenário eleitoral, segundo ele, só deve ocorrer a partir do fim de julho, com o início oficial da campanha, após as convenções partidárias. Até lá, a atenção dos brasileiros pode estar dividida com outros eventos, como a Copa do Mundo.
