Nasa detalha planos para base lunar e cogita rover de Marte na Lua
A Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) realizou nesta terça-feira (30) uma coletiva de imprensa para atualizar seus planos de desenvolvimento de uma base lunar. Embora não tenham sido apresentadas novidades revolucionárias, a agência anunciou a contratação de mais quatro missões robóticas privadas para pousar na superfície lunar, com previsão de ocorrerem a partir do final de 2028. Uma das ideias mais intrigantes apresentadas é o estudo para enviar um modelo de engenharia de um rover marciano para explorar o polo sul da Lua, embora a decisão final sobre esta missão ainda não tenha sido tomada.
As atualizações fazem parte de um esforço contínuo da Nasa para progredir em seus ambiciosos objetivos lunares, que se desdobrarão lentamente ao longo dos próximos anos. A estratégia atual de anúncios mensais visa demonstrar o avanço no programa, que evoluiu de um foco em missões de transporte de carga para a construção de uma instalação capaz de sustentar astronautas a longo prazo. Cada uma das quatro novas missões robóticas contratadas terá um custo aproximado de US$ 150 milhões.
Duas das novas missões serão realizadas pela Astrobotic, totalizando US$ 297,9 milhões, e utilizarão o módulo de pouso menor da empresa, o Peregrine. A Astrobotic já tentou um pouso lunar com este módulo em 2024, mas uma falha no espaço impediu o sucesso. A empresa também desenvolve o módulo maior, Griffin, já contratado pela Nasa para uma missão robótica prevista ainda para este ano.
As outras duas contratações recentes incluem uma missão da Firefly, no valor de US$ 144,2 milhões, que buscará replicar o sucesso de seu módulo Blue Ghost no ano passado. A Intuitive Machines, por sua vez, receberá US$ 148,3 milhões para uma quarta missão com seu módulo Nova-C. A empresa já realizou dois pousos semi-bem-sucedidos, onde os pousadores sobreviveram à descida e operaram brevemente na superfície, apesar de tombarem durante o pouso.
O Rover Marciano na Lua: Uma Nova Fronteira?
Uma das propostas mais notáveis apresentadas pelo administrador da Nasa, Jared Isaacman, é a exploração da possibilidade de enviar um modelo de engenharia de um rover marciano para a Lua. Este veículo de teste, uma réplica dos rovers Curiosity e Perseverance que operam em Marte, é atualmente utilizado no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) para testes que auxiliam as missões no planeta vermelho. A ideia é adaptar este veículo, projetado para o ambiente marciano, para operar no polo sul lunar.
A principal vantagem deste rover seria sua fonte de energia. Equipado com uma bateria de plutônio, similar à de seus ‘irmãos’ em Marte, ele seria capaz de gerar eletricidade e calor sem depender de painéis solares. Isso permitiria a exploração de áreas de difícil acesso, como o fundo de crateras lunares onde a luz solar não chega, locais de grande interesse pela potencial presença de gelo de água. A proposta de missão recebeu o nome de Promise (acrônimo em inglês para Rover Polar para Observação, Mapeamento e Exploração In-Situ).
Prazos e Desafios nas Missões Lunares
Os prazos para as missões lunares permanecem incertos. Isaacman mencionou que a Nasa está focada na montagem do foguete para a missão tripulada Artemis 3, com planos para um teste de lançamento ainda este ano e um voo previsto para o próximo. Carlos García-Galán, gerente do programa lunar, espera que pelo menos uma das três missões robóticas programadas para este ano ocorra até dezembro, mas reconhece a possibilidade de atrasos.
Um dos pontos de atenção é a Blue Origin, com seu módulo de pouso Blue Moon Mark 1. Apesar de o módulo estar quase pronto, a empresa sofreu um revés com a explosão de um foguete New Glenn durante um teste, que danificou sistemas essenciais. Embora a Blue Origin ainda espere retomar voos ainda este ano, a Nasa admite que o lançamento do Blue Moon pode ser adiado para 2027. A agência considera a possibilidade de utilizar outro lançador caso o New Glenn não esteja operacional a tempo, especialmente porque o módulo é crucial para a missão Artemis 3.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Nasa.
