Prejuízos bilionários e desafios na recuperação venezuelana
Os recentes terremotos que abalaram a Venezuela na última quarta-feira (24) causaram danos estimados em US$ 6,7 bilhões, valor que equivale a aproximadamente R$ 34,7 bilhões. A projeção foi divulgada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e representa cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, avaliado em US$ 111,3 bilhões (R$ 576,2 bilhões).
A avaliação preliminar, baseada em imagens de satélite de alta resolução e inteligência artificial, mapeou os estragos em moradias, meios de subsistência, serviços essenciais e ativos econômicos. Os tremores, com magnitudes de 7,2 e 7,5, atingiram o norte do país, afetando áreas populosas e economicamente importantes como Caracas e os estados de La Guaira, Carabobo, Miranda, Yaracuy e Aragua. Estima-se que 1,7 milhão de estruturas estivessem localizadas nas zonas impactadas.
O PNUD também informou que cerca de 8,6 milhões de pessoas foram expostas a tremores de intensidade moderada a forte, com aproximadamente 2,1 milhões vivendo em áreas de maior intensidade sísmica. O balanço oficial divulgado pelo presidente do Parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, aponta para 1.430 mortos, 3.248 feridos e 3.412 desabrigados, com mais de 73 mil famílias já atendidas pelas autoridades, especialmente em La Guaira.
Custos de reconstrução e impacto econômico incerto
A estimativa de US$ 6,7 bilhões feita pelo PNUD refere-se especificamente aos danos físicos diretos, com uma margem de variação entre US$ 4,7 bilhões (R$ 24,33 bilhões) e US$ 8,7 bilhões (R$ 45,04 bilhões). No entanto, este cálculo inicial não abrange os custos com a recuperação de infraestrutura, os impactos econômicos mais amplos nem os gastos de longo prazo com a reconstrução.
Historicamente, em desastres dessa magnitude, o impacto total pode variar entre 1,5 e 3 vezes o valor dos danos diretos. Isso sugere que o custo final para a Venezuela pode superar significativamente a estimativa inicial. O representante residente do PNUD no país, Luis Francisco Thais, destacou a importância de avaliações rápidas e precisas, como as feitas pelo sistema RAPIDA, para orientar a resposta e a tomada de decisões baseadas em evidências.
Dados por satélite também indicam possíveis interrupções no fornecimento de energia em regiões como Carabobo, La Guaira, Caracas e Aragua, evidenciadas pela redução da iluminação noturna após os abalos.
Ajuda internacional e fundos para recuperação
Em resposta à tragédia, a Venezuela tem recebido apoio internacional. O vice-chanceler venezuelano para Europa e América do Norte, Oliver Blanco, informou a chegada de mais de 1.600 integrantes de equipes de resgate internacionais em 17 voos, com a expectativa de novas missões. A líder interina do governo, Delcy Rodríguez, anunciou a criação de um fundo inicial de US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão) para a reconstrução de edificações essenciais, como moradias, hospitais e escolas, com recursos provenientes do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Os Estados Unidos também se comprometeram com uma ajuda de US$ 150 milhões (R$ 776 milhões) através de parceiros humanitários. Desse montante, US$ 50 milhões (R$ 258 milhões) serão destinados a organizações atuantes no terreno, e outros US$ 100 milhões (R$ 517 milhões) a um fundo comum da ONU para o país. Diante da mobilização de recursos, a ONG Transparência Venezuela solicitou a implementação de mecanismos de controle rigorosos para garantir a verificação dos dados de recepção e distribuição da ajuda humanitária, assegurando transparência nos valores, destinos e beneficiários.
