Colômbia elege novo presidente em votação apertada
O candidato de direita Abelardo de La Espriella, do movimento Defensores da Pátria, foi declarado vencedor das eleições presidenciais na Colômbia, de acordo com a apuração inicial divulgada pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). A disputa foi marcada por uma margem de apenas 0,95%, o que representa uma diferença de 246 mil votos em um universo de 25 milhões de eleitores.
Em seu discurso de vitória, De La Espriella celebrou o que chamou de “uma nova etapa para o país”, construída sobre a “vontade livre e democrática de milhões de cidadãos que decidiram acreditar em uma Colômbia grande, segura, próspera e repleta de oportunidades”.
As informações sobre o resultado preliminar foram divulgadas pelo CNE e repercutidas pela imprensa local e internacional. A polarização política na Colômbia ficou evidente com a proximidade dos votos entre os candidatos.
Questionamentos sobre o resultado e a recontagem de votos
O presidente em exercício, Gustavo Petro, que apoiou o candidato derrotado Iván Cepeda, expressou preocupação com a lisura do processo. Petro afirmou que existem “muitas irregularidades” na disputa e que somente reconhecerá o resultado após a recontagem oficial dos votos, um procedimento padrão na Colômbia. Essa recontagem, realizada por mais de nove mil juízes e notários, pode levar até três dias para ser concluída.
“Obedeço aos juízes. Calma entre os cidadãos, por favor. A realidade nos apresenta um país dividido ao meio, com interferência estrangeira que nos priva da liberdade. Um acordo nacional se impõe se quisermos manter a Pátria e a paz nos próximos anos”, declarou Petro em sua conta na rede social X.
Iván Cepeda, por sua vez, reconheceu os resultados preliminares, mas anunciou que seu partido solicitará a impugnação de 33 mil urnas. Ele destacou que a diferença de votos registrada é a menor já vista em uma eleição de segundo turno na história da Colômbia. Com 99% das urnas apuradas, Cepeda obteve 12,7 milhões de votos (48,7%), enquanto De La Espriella alcançou 12,9 milhões (49,65%).
Repercussão internacional e onda conservadora na América Latina
A vitória de Abelardo de La Espriella foi recebida com entusiasmo por líderes de direita em outras nações da América do Sul, reforçando a percepção de uma guinada conservadora no continente. O presidente da Argentina, Javier Milei, classificou o resultado como “histórico” e afirmou que “a liberdade avança por toda a América Latina e não há volta”.
O presidente do Equador, Daniel Noboa, também celebrou o triunfo, declarando que “a Colômbia escolheu a ordem em vez da impunidade”. Ele compartilhou a convicção de que a região “merece segurança, progresso e governos que combatam o crime sem desculpas”. No Brasil, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro parabenizou De La Espriella em vídeo divulgado nas redes sociais, associando a vitória a agendas de combate ao narcotráfico, corrupção e aumento de impostos.
A eleição colombiana se insere em um contexto de possíveis mudanças políticas na América Latina, com destaque para a disputa eleitoral no Peru, onde a candidata de direita Keiko Fujimori lidera a apuração do segundo turno presidencial com uma margem muito pequena sobre seu oponente de esquerda. A confirmação de vitórias conservadoras na Colômbia e no Peru solidificaria o alinhamento de governos com políticas alinhadas aos Estados Unidos, seguindo exemplos como os de Javier Milei na Argentina, Nayib Bukele em El Salvador e Daniel Noboa no Equador.
