Compartilhar a cama com animais de estimação é um hábito comum, mas levanta questões sobre saúde e qualidade do sono.
A prática de dormir na mesma cama que cães e gatos é bastante difundida. Uma pesquisa recente com adultos americanos revelou que quase metade dos entrevistados compartilha o leito com seus pets. Embora muitos encontrem conforto e prazer nessa convivência, especialistas alertam para potenciais riscos à saúde e para o impacto na qualidade do descanso.
A psicóloga do sono Shelby Harris frequentemente questiona seus pacientes com dificuldades para dormir sobre a presença de animais de estimação em suas camas. Ela ressalta que, embora nem todos sofram com interrupções, é fundamental identificar se o pet é a causa de problemas no sono.
A decisão de permitir que animais de estimação subam na cama envolve a ponderação entre os benefícios emocionais e os riscos, ainda que baixos, de contrair doenças.
Riscos à saúde associados a dormir com pets
Animais de estimação podem ser portadores de parasitas e bactérias, como carrapatos, pulgas e microrganismos, que podem ser transmitidos aos humanos. O contato próximo durante o sono aumenta essa exposição.
Existem relatos de casos raros em que o hábito de dormir com pets levou à transmissão de infecções. Um exemplo é o de uma mulher que contraiu uma bactéria comum na boca de cães e gatos através de lambidas em seus pés, e outro de um homem que desenvolveu infecção pós-cirúrgica após dormir com o cachorro.
Carrapatos e pulgas são parasitas frequentemente compartilhados em camas, podendo transmitir doenças como a de Lyme. A vermifugação regular dos pets e o uso de preventivos contra parasitas recomendados por veterinários são essenciais para mitigar esses riscos.
Apesar desses casos, o risco de adoecer por compartilhar a cama com um animal é considerado geralmente baixo para pessoas com sistema imunológico saudável. No entanto, indivíduos imunocomprometidos devem ter cautela redobrada.
Impacto na qualidade do sono
As pesquisas sobre o impacto de dormir com animais de estimação na qualidade do sono ainda são limitadas. Alguns estudos sugerem que a presença do pet na cama pode diminuir a eficiência do sono.
Um estudo de 2017 com donos de cachorros indicou que a eficiência do sono era menor quando o animal estava na cama em comparação a quando estava apenas no quarto. Outra pesquisa observou que animais interrompiam o sono de seus donos, mesmo que estes não percebessem ou relatassem as interrupções.
Por outro lado, alguns estudos apontam que certas pessoas percebem o pet como um fator benéfico para o sono, possivelmente devido ao apoio emocional que o animal proporciona.
O médico do sono Douglas Wallace teoriza que o bem-estar emocional proporcionado pelos pets pode, em alguns casos, compensar os efeitos negativos na qualidade objetiva do sono. Além disso, a rotina associada a ter um pet, como passeios matinais, pode incentivar hábitos que promovem um sono melhor.
Para avaliar o impacto em seu próprio sono, a psicóloga Shelby Harris sugere retirar o animal da cama por algumas noites e observar se há melhora. Caso não haja diferença perceptível, o hábito pode ser mantido sem maiores preocupações. No entanto, outros especialistas, como a professora Brittany Lancaster, adotam uma postura mais conservadora, preferindo não dormir com seus próprios animais.
