Estados brasileiros reinventam estratégias para recuperar coberturas vacinais
Estados brasileiros reinventam estratégias para recuperar coberturas vacinais

Estados brasileiros reinventam estratégias para recuperar coberturas vacinais

Brasil busca reverter queda nas coberturas vacinais com estratégias regionais e inovadoras O Brasil, que retornou recentemente à lista dos 20 países com maior número de crianças não vacinadas, segundo o Unicef e a OMS, está em uma corrida para reverter esse quadro preocupante. A recuperação das coberturas vacinais tem exigido mais do que a […]

Resumo

Brasil busca reverter queda nas coberturas vacinais com estratégias regionais e inovadoras

O Brasil, que retornou recentemente à lista dos 20 países com maior número de crianças não vacinadas, segundo o Unicef e a OMS, está em uma corrida para reverter esse quadro preocupante. A recuperação das coberturas vacinais tem exigido mais do que a simples oferta de imunizantes, demandando a superação de barreiras geográficas, o combate à desinformação e a reorganização dos serviços de saúde. Nesse cenário, os estados brasileiros têm reinventado suas abordagens, apresentando 109 experiências exitosas em uma mostra promovida pelo Conass em Brasília.

As estratégias apresentadas revelam a diversidade de realidades no país e a necessidade de soluções adaptadas a cada contexto. Não existe uma fórmula única para enfrentar a queda da vacinação, que é multifatorial e envolve desde a desinformação até a dificuldade de acesso e a organização dos serviços. Essa constatação foi reforçada por Nereu Henrique Mansano, assessor técnico do Conass, que destacou o empenho dos estados em priorizar a vacinação, independentemente de suas matizes políticas.

Apesar dos desafios, o Ministério da Saúde informa que, das 16 vacinas oferecidas até 1 ano de idade, 3 já ultrapassam 90% de cobertura, e outras 10 superam os 80%. Um exemplo de recuperação é a vacina BCG, que, após uma queda expressiva entre 2015 e 2021, atingiu 97,9% de cobertura em 2025. As iniciativas em curso demonstram o compromisso do Sistema Único de Saúde (SUS) em garantir a proteção da população.

Estratégias inovadoras superam barreiras logísticas e de acesso

No Tocantins, uma força-tarefa foi essencial para conter um surto de sarampo em uma comunidade ortodoxa russa em Campos Lindos. A ação conjunta entre estado, município e Ministério da Saúde envolveu educação em saúde, bloqueio vacinal, busca ativa e vacinação, alcançando quase 3.000 pessoas e encerrando o surto com 25 casos confirmados. A diretora de vigilância do estado, Gisele Carvalho Luz, ressaltou a importância da agilidade em casos de sarampo, onde “cada hora ganha é revertida em proteção da população”.

Na vastidão da Amazônia, onde a logística é um desafio monumental, o “Grande Wayuri da Imunização” emerge como solução. A iniciativa, que significa ação coletiva em nheengatu, reorganizou a distribuição de vacinas através de cooperação entre Amazonas, Acre e Rondônia, além de municípios. Ao invés de dependerem exclusivamente de Manaus, os municípios passaram a utilizar pontos de apoio mais próximos, como Rio Branco e Porto Velho, aumentando a frequência de retirada de imunizantes e diminuindo a dependência do transporte aéreo, como explica a enfermeira Cléia Soares Martins.

O Maranhão, com suas grandes desigualdades regionais, apostou no microplanejamento. Essa metodologia do Ministério da Saúde adapta as ações de vacinação à realidade de cada território, permitindo mapear e alcançar bolsões de não vacinados de forma proativa. A coordenadora estadual de imunização, Alice Figueiredo, destaca que a tomada de decisão baseada em dados torna as ações “mais eficientes e resolutivas”, fortalecendo a vacinação em escolas e a busca ativa domiciliar.

Incentivos, tecnologia e aproximação do SUS com a comunidade

Em Mato Grosso, o estado inovou ao criar um sistema de reconhecimento para os municípios com melhores coberturas vacinais, oferecendo selos de qualidade e direcionando recursos para ações de imunização. Além disso, as “carretas da vacina” levam equipes a comunidades rurais, indígenas e quilombolas, ampliando o acesso em áreas remotas. O programa também investiu na capacitação de mais de 2.000 profissionais em microplanejamento.

A Bahia utilizou “vacimóveis” – vans adaptadas para vacinação – para atender populações com dificuldade de acesso às unidades de saúde, reforçando a meta de “conferir acessibilidade à vacina”, segundo o sanitarista Ramon Saavedra. No Distrito Federal, a incorporação de novas tecnologias, como o anticorpo monoclonal nirsevimabe para proteção contra o vírus sincicial respiratório em bebês, foi acompanhada de capacitação e fluxos específicos para garantir a proteção de grupos prioritários.

Minas Gerais, com apoio da Opas e universidades, investiu em educação permanente, pesquisas sobre hesitação vacinal e um selo de reconhecimento para municípios com bons resultados na vacinação infantil. Marcela Ferraz, diretora de vigilância em Minas Gerais, enfatiza a importância de comunicar que “as doenças não desapareceram por acaso: elas desapareceram porque as pessoas se vacinam”, combatendo a falsa ideia de que a vacinação já não é necessária.

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