A influência do DNA na carreira esportiva
O alto rendimento no esporte exige dedicação intensa e, frequentemente, leva a um acúmulo de fadiga muscular e microlesões ao longo da carreira de um atleta. Essas lesões são um dos maiores temores de jogadores e comissões técnicas, podendo interromper sonhos e carreiras promissoras. Pesquisas realizadas pelo Laboratório de Pesquisa de Ciências Farmacêuticas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Lapesf-UERJ), em parceria com o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), revelam que a genética pode desempenhar um papel significativo nessa vulnerabilidade.
Um estudo com 627 atletas profissionais apontou que 80% já sofreram algum tipo de lesão, afetando principalmente articulações, músculos e tendões. Cerca de 20% apresentaram múltiplas estruturas comprometidas. A questão que surge é por que alguns atletas se lesionam com mais frequência do que outros, mesmo submetidos a condições de treinamento semelhantes.
A resposta pode estar no DNA
Diversos estudos do grupo de pesquisa sugerem que variações no DNA podem aumentar ou diminuir a suscetibilidade genética a lesões. As pesquisas investigam genes ligados a processos inflamatórios, produção de colágeno, estrutura do tecido musculoesquelético, formação de novos vasos sanguíneos e a capacidade de reparação tecidual após o esforço físico.
Além disso, variantes genéticas podem influenciar a percepção da dor, seja ela advinda do exercício rigoroso ou de uma lesão musculoesquelética. Um exemplo é o gene FAAH (Fatty Acid Amide Hydrolase), que atua no sistema endocanabinoide, regulando respostas ao estresse, inflamação e dor. Avaliações em atletas profissionais identificaram que uma variante específica desse gene, a FAAH rs324420, está associada a uma maior probabilidade de relatar dor musculoesquelética, especialmente em áreas previamente lesionadas.
Testes genéticos como ferramenta preventiva
A análise do perfil genético, combinada com características clínicas e individuais do atleta (como idade, sexo e carga de treinamento), pode ajudar a identificar aqueles com maior predisposição a lesões ou dor. Isso permite o desenvolvimento de estratégias personalizadas de prevenção, treinamento e cuidados com a saúde, visando carreiras mais longas, seguras e saudáveis.
Essas informações genéticas podem servir como um guia preventivo, auxiliando na individualização de treinamentos, na otimização da recuperação pós-esforço e na mitigação de vulnerabilidades. Ao compreender melhor sua predisposição genética, atletas podem diferenciar a dor normal do esforço daquela que sinaliza um risco iminente de lesão, protegendo seu desempenho e sua carreira.
