Novos detalhes do Caso Master revelam supostos luxos oferecidos a Ciro Nogueira e Hugo Motta, além de ameaças ligadas a ‘Sicário’.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a pedidos e retirou o sigilo de inquéritos cruciais relacionados ao Caso Master. Os documentos, encaminhados pela Polícia Federal (PF), trazem à luz detalhes sobre a relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e figuras políticas proeminentes.
As investigações apontam para um esquema de troca de favores, onde supostos luxos e despesas pessoais teriam sido custeados por Vorcaro a políticos. Em contrapartida, esses parlamentares teriam atuado em favor dos interesses do Banco Master no Congresso Nacional.
Além das alegações de benefícios financeiros, os documentos revelam ameaças graves. A irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como ‘Sicário’, teria proferido intimidações contra a família de Daniel Vorcaro, com alegações de exposição de informações comprometedoras e ameaças de morte. A PF, conforme informações divulgadas, trabalha para desvendar todas as pontas soltas deste complexo caso.
Ciro Nogueira teria recebido vida luxuosa paga por banqueiro
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) é apontado pela PF como beneficiário de uma vida de luxos custeada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com o relatório, a relação entre os dois extrapolava a amizade e envolvia vantagens econômicas significativas para o parlamentar. Em troca, Nogueira teria atuado em prol dos interesses do Banco Master.
Um dos indícios dessa suposta articulação é a apresentação da chamada “Emenda Master” em 2024, proposta por Ciro Nogueira para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A PF alega que a minuta da emenda teria sido elaborada pela assessoria do banco e repassada a Vorcaro antes de ser apresentada pelo senador.
Como contrapartida, Vorcaro teria arcado com despesas como hospedagens em hotéis de luxo em Nova York, gastos em restaurantes sofisticados, voos privados e viagens internacionais. O banqueiro também teria disponibilizado um imóvel de alto padrão e permitido o uso de seu cartão de crédito para despesas pessoais do senador, inclusive durante viagens.
Hugo Motta: viagens e hospedagens pagas em investigação
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), também é citado em documentos da investigação. Relatórios da PF indicam viagens em aeronaves privadas ligadas a Daniel Vorcaro e despesas de hospedagem atribuídas a Lira, que teriam sido pagas pelo banqueiro. Mensagens de WhatsApp analisadas pela PF mostram Lira mencionado em conversas sobre a organização de voos em jatos particulares de Vorcaro.
Em alguns diálogos, Lira aparece ao lado do senador Ciro Nogueira em listas de passageiros e em grupos relacionados à logística de deslocamentos. Para os investigadores, esses registros ajudam a mapear a oferta de benefícios do banqueiro a políticos e autoridades.
A investigação também identificou o pagamento de hospedagens durante uma viagem a Lisboa, em junho de 2024. Conversas analisadas pela PF mostram que Vorcaro solicitou a reserva de quartos em um hotel de luxo na capital portuguesa para si, para Ciro Nogueira e para Arthur Lira. Uma nota de cobrança de cinco diárias no hotel, no valor de 3.155,71 euros (cerca de R$ 20 mil), foi localizada.
Arthur Lira, em manifestação sobre o caso, declarou ter “muita tranquilidade” e não ver irregularidades. Ele afirmou ter participado de um evento jurídico em Lisboa e que não considera inadequado o custeio da viagem. O presidente da Câmara não é investigado formalmente no inquérito.
Ameaças de morte e chantagem pela irmã de ‘Sicário’
Em outro inquérito, a PF detalha ameaças feitas por Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”. Joana teria ameaçado expor informações capazes de “acabar com a família inteira” de Daniel Vorcaro, atribuindo à família do banqueiro a responsabilidade pela situação financeira dela e de sua mãe após a morte do irmão, que cometeu suicídio após ser preso na Operação Compliance Zero.
Joana Mourão relatou ter recebido vídeos com imagens de fuzis e mensagens ameaçadoras de morte para ela e sua mãe. As ameaças, somadas ao medo de ser presa ou vítima de golpes, teriam causado abalo emocional e físico, levando-a a perder peso e a enfrentar dificuldades para dormir e se alimentar.
A PF identificou tratativas envolvendo o bicheiro Manoel Rodrigues, conhecido como Manolo, e Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, para transferir recursos e ativos à família de “Sicário”. O objetivo seria conter a crise, evitar a divulgação de informações e silenciar possíveis testemunhas. O relatório também cita suspeitas de intimidação contra ex-funcionários ligados ao grupo e tentativas de monitorar as investigações.
