Trump eleva o tom contra Omã em meio a tensões no Golfo Pérsico
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, proferiu ameaças diretas ao Omã, declarando que o país seria alvo de ataques caso tente mediar ou dividir o controle do estratégico Estreito de Hormuz com o Irã. A declaração, divulgada pelo jornalista da Fox News Trey Yingst, marca a primeira vez que Trump dirige ameaças a uma nação árabe desde o início do conflito com o Irã em fevereiro. Até então, Omã desempenhava um papel crucial como mediador entre Washington e Teerã nas negociações sobre o programa nuclear iraniano.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Fox News.
Omã: De mediador a alvo em escalada de conflito
O sultanato de Omã, que historicamente se posicionou como um interlocutor neutro entre Estados Unidos e Irã, viu seu papel alterado drasticamente após o início das hostilidades. O país, que controla a margem sul do Estreito de Hormuz, tornou-se alvo de ataques iranianos em retaliação, gerando surpresa e repúdio no governo local. Segundo o Instituto para Estudos de Segurança Nacional de Israel, Omã sofreu 66 lançamentos de mísseis e drones iranianos antes de um cessar-fogo em meados de junho.
Trump havia rompido uma trégua anterior no início de julho, após o Irã atacar navios no estreito, por onde transitava uma parcela significativa do petróleo e gás natural liquefeito mundial. A trégua foi retomada devido à ineficácia militar das ações americanas limitadas, e o prazo inicial expirou na segunda-feira, dia 17. O presidente americano expressou ceticismo sobre a possibilidade de um novo acordo com o Irã, reiterando o objetivo de impedir que o país desenvolva armas nucleares.
Estratégia de bloqueio e negociações secretas
A retórica de Trump ocorre em um momento de intensificação das pressões sobre o Irã. Os Estados Unidos mantêm um bloqueio naval que, até o dia 14, resultou na inspeção de 62 navios, na desabilitação de três e na abordagem de dois. Em contrapartida, o Irã mantém a ameaça de atacar embarcações que cruzem o Estreito de Hormuz sem permissão e sem o pagamento de pedágio. Na prática, o trânsito no estreito foi drasticamente reduzido, operando abaixo de 10% de sua capacidade anterior.
Diante desse cenário, o Irã retomou negociações diretas com Omã, o que provocou a fúria de Trump. O presidente americano, que antes cogitava declarar o estreito como território americano após o conflito, agora volta sua atenção hostil para Omã, um país com recursos militares limitados, apesar de investir uma parcela significativa de seu PIB em defesa. A capacidade de dissuasão de Omã baseia-se em grande parte na coordenação com forças americanas e britânicas na região.
Em declarações à Fox News, Trump também confirmou a existência de canais de comunicação secretos entre Washington e a Guarda Revolucionária do Irã. Ele descreveu os iranianos como “bons jogadores de pôquer, mas estão morrendo” e conclamou Teerã a “levantar a bandeira branca de rendição”. Essa retórica coincide com sinais de que o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, estaria nomeando figuras de linha dura para posições governamentais importantes, indicando um possível endurecimento do regime diante da perspectiva de um conflito prolongado.
