TCU aponta falhas na hierarquia militar que comprometem auditorias internas
TCU aponta falhas na hierarquia militar que comprometem auditorias internas

TCU aponta falhas na hierarquia militar que comprometem auditorias internas

TCU exige mudanças no Exército para garantir independência de auditorias internas O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Exército Brasileiro adote providências para sanar o comprometimento da independência de suas auditorias internas, decorrente da própria estrutura hierárquica militar. Um relatório recente do órgão aponta que militares encarregados de fiscalizar a gestão podem […]

Resumo

TCU exige mudanças no Exército para garantir independência de auditorias internas

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Exército Brasileiro adote providências para sanar o comprometimento da independência de suas auditorias internas, decorrente da própria estrutura hierárquica militar. Um relatório recente do órgão aponta que militares encarregados de fiscalizar a gestão podem ter suas avaliações profissionais e morais – critérios essenciais para promoções – influenciadas por superiores que eles mesmos auditaram. Além disso, esses auditores podem, posteriormente, retornar a funções nas mesmas estruturas que fiscalizaram.

Relatos de auditores militares, coletados durante a investigação do TCU, indicam que as ações de fiscalização são frequentemente atenuadas e os relatórios finais passam por revisões de seus superiores. Um dos depoimentos anônimos citados no acórdão, divulgado nesta quinta-feira (20) no Diário Oficial da União, é categórico: “não temos autonomia para escrever os relatórios”. Outro comentário anônimo sugere que a autonomia “é relativa”, limitando-se à fase de execução dos trabalhos e cedendo espaço a “orientações” que desencorajam apontamentos de responsabilidade quando a apuração se aproxima de sua fase conclusiva.

Conflito de interesses e a estrutura da carreira militar

O TCU atribui parte do problema à própria estrutura da carreira militar, que é marcada pela disputa por vagas e avanço de patentes. Critérios subjetivos na avaliação de conceito profissional e moral criam um ambiente propício a conflitos de interesse para os militares responsáveis pela auditoria de gestores que detêm poder sobre suas carreiras. A situação é agravada pela ausência de um corpo técnico permanente de auditores nas Forças Armadas. Militares são designados temporariamente para funções de controle e, após esse período, podem retornar a cargos de gestão nas mesmas unidades fiscalizadas, gerando um ciclo de potenciais conflitos.

A necessidade de separação entre as funções de auditoria e gestão já foi atendida pela Marinha e pela Aeronáutica, em cumprimento a uma determinação anterior do TCU em 2009. No Exército, entretanto, a situação persiste. Os 12 Centros de Gestão, Contabilidade e Finanças do Exército (CGCFEx) subordinam-se diretamente à Secretaria de Economia e Finanças (SEF), o que, segundo o tribunal, dificulta a autonomia necessária para uma fiscalização isenta. O Exército foi contatado pela reportagem para manifestação sobre o tema.

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