SUS adota teste mais preciso para rastreamento de câncer colorretal
SUS adota teste mais preciso para rastreamento de câncer colorretal

SUS adota teste mais preciso para rastreamento de câncer colorretal

Nova estratégia visa otimizar o diagnóstico precoce e reduzir a demanda por procedimentos mais invasivos. O Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou oficialmente o teste imunoquímico fecal (FIT) para o rastreamento do câncer colorretal. A medida, anunciada em maio pelo Ministério da Saúde e publicada no Diário Oficial da União, destina-se a pessoas entre 50 […]

Resumo

Nova estratégia visa otimizar o diagnóstico precoce e reduzir a demanda por procedimentos mais invasivos.

O Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou oficialmente o teste imunoquímico fecal (FIT) para o rastreamento do câncer colorretal. A medida, anunciada em maio pelo Ministério da Saúde e publicada no Diário Oficial da União, destina-se a pessoas entre 50 e 75 anos que não apresentem sintomas da doença. A rede pública terá até 180 dias para implementar a oferta do novo exame.

O FIT é projetado para detectar a presença de sangue oculto nas fezes, uma condição invisível a olho nu. Um resultado positivo não confirma o câncer, mas pode indicar a existência de pólipos, lesões pré-malignas ou a própria doença, além de outras causas de sangramento. Por essa razão, o teste funciona como um importante filtro, direcionando para a colonoscopia apenas os indivíduos com maior probabilidade de necessitar do procedimento.

A incorporação do FIT representa um avanço significativo, segundo o coloproctologista Hélio Moreira, da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP). Ele explica que a intenção é evitar que toda a população na faixa etária de rastreamento seja submetida diretamente à colonoscopia, um exame de alta demanda na rede pública que exige preparo rigoroso do paciente.

FIT substitui método antigo e oferece maior especificidade

O novo teste imunoquímico substitui métodos mais antigos baseados em reações químicas para a detecção de sangue oculto, que podiam gerar resultados falsos positivos devido à interferência de certos alimentos. O FIT, por identificar especificamente a hemoglobina humana, proteína presente no sangue, é mais preciso e não requer restrições alimentares antes da coleta.

O procedimento de coleta é simples e pode ser realizado pelo próprio paciente em casa, com um kit fornecido pelo serviço de saúde. O material coletado é então levado à unidade básica de saúde para análise.

Rastreamento direcionado e próximos passos

É fundamental ressaltar que o FIT não é indicado para pessoas que já apresentam sinais de alerta, como sangue visível nas fezes, alterações significativas no hábito intestinal ou perda de peso inexplicada. Nesses casos, a investigação médica e a colonoscopia devem ser realizadas diretamente.

Para Moreira, a introdução do FIT é um passo inicial crucial para a estruturação de um programa nacional de rastreamento do câncer colorretal. Contudo, ele aponta que a ampliação do rastreamento deve ser acompanhada por medidas que aumentem a capacidade da rede pública para a realização de colonoscopias, garantindo que todos os casos identificados pelo FIT possam ser devidamente investigados e tratados.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia.

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