STM rejeita pedido de Bolsonaro para afastar ministro de julgamento
STM rejeita pedido de Bolsonaro para afastar ministro de julgamento

STM rejeita pedido de Bolsonaro para afastar ministro de julgamento

Superior Tribunal Militar mantém ministro em processo contra Bolsonaro O Superior Tribunal Militar (STM) negou um pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro que visava o afastamento do ministro Francisco Joseli Parente Camelo de um julgamento sobre ação de indignidade para o oficialato. A decisão foi proferida pela ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, que […]

Resumo

Superior Tribunal Militar mantém ministro em processo contra Bolsonaro

O Superior Tribunal Militar (STM) negou um pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro que visava o afastamento do ministro Francisco Joseli Parente Camelo de um julgamento sobre ação de indignidade para o oficialato. A decisão foi proferida pela ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, que considerou os argumentos da defesa insuficientes para justificar a suspeição do magistrado.

A defesa de Bolsonaro, capitão reformado do Exército, apresentou uma “exceção de suspeição”, argumentando que o ministro teria emitido juízo de valor antecipado em entrevistas concedidas no ano de 2023. As declarações citadas pela defesa foram publicadas pelo portal UOL, sob o título “STM punirá militares que cometeram crimes no 8/1”, e pelo jornal Valor Econômico, com a matéria “Novo presidente do STM, brigadeiro prega ‘pacificação’ e elogia Lula”.

Para os advogados de Bolsonaro, essas entrevistas indicariam um “prejulgamento” sobre qualquer processo que pudesse surgir em decorrência dos atos de 8 de janeiro de 2023. A defesa baseou sua contestação na alegação de que as falas do ministro demonstravam uma posição já formada sobre os envolvidos.

Ministra considera argumentos “vazios e insuficientes”

Ao analisar o pedido, a ministra Maria Elizabeth Rocha considerou os argumentos apresentados pela defesa como “demasiadamente vazios e insuficientes” para comprometer a imparcialidade do ministro Francisco Joseli Parente Camelo. A magistrada ressaltou que a defesa não apresentou fundamentação específica com base em dispositivos da legislação processual militar.

A ministra destacou que a manifestação do ministro Camelo ao portal UOL baseou-se estritamente em princípios de legalidade. Na ocasião, ele teria afirmado que o tribunal julgaria os casos com respeito ao direito à defesa e ao contraditório, punindo apenas aqueles que comprovadamente cometessem crimes.

“Não se vislumbra o preenchimento do aspecto objetivo da suspeição, pois a manifestação tem amparo em uma base lógico-jurídica elementar: a condenação é consequência da apuração de responsabilidade penal sob o crivo do contraditório”, registrou a ministra em sua decisão.

Declarações não mencionavam investigados específicos

A decisão também enfatizou que, durante as entrevistas em questão, o ministro Francisco Joseli Parente Camelo não mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro ou qualquer outro investigado de forma individualizada. Segundo a ministra, as declarações proferidas em 2023 tratavam de cenários hipotéticos e não configuravam um juízo de valor sobre o processo específico em andamento.

O processo de indignidade para o oficialato (n° 7000041-44.2026.7.00.0000) tem como objetivo analisar a conduta de oficiais quando lhes for aplicada pena privativa de liberdade superior a dois anos. A ministra explicou que essa ação está em conformidade com as exigências da Constituição Federal e não opera como uma “instância de punição penal ou revisional”, mas sim como um mecanismo de controle da conduta militar.

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