Silêncio Estratégico na Bahia: Master Une Adversários Políticos e Vira Assunto Proibido em Campanha Eleitoral
Silêncio Estratégico na Bahia: Master Une Adversários Políticos e Vira Assunto Proibido em Campanha Eleitoral

Silêncio Estratégico na Bahia: Master Une Adversários Políticos e Vira Assunto Proibido em Campanha Eleitoral

Escândalo do Banco Master une ACM Neto e Jaques Wagner em acordo de silêncio na Bahia, enquanto PF avança em investigações Um cenário político inusitado se desenha na Bahia. A força do escândalo envolvendo o Banco Master tem sido capaz de aproximar campos adversários que, na arena eleitoral, raramente compartilham o mesmo espaço. Grupos ligados […]

Resumo

Escândalo do Banco Master une ACM Neto e Jaques Wagner em acordo de silêncio na Bahia, enquanto PF avança em investigações

Um cenário político inusitado se desenha na Bahia. A força do escândalo envolvendo o Banco Master tem sido capaz de aproximar campos adversários que, na arena eleitoral, raramente compartilham o mesmo espaço. Grupos ligados ao ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), e ao senador Jaques Wagner (PT), líder do governo Lula no Senado, teriam firmado um pacto de não agressão.

A estratégia, segundo apuração, seria evitar que o caso Master seja explorado durante a campanha eleitoral deste ano. Essa trégua incluiria o senador Jaques Wagner, que se tornou alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. O acordo, que vinha sendo discutido desde fevereiro, liberaria todos os outros temas para debate, mas manteria o Banco Master como um assunto proibido.

Investigadores apontam uma lógica clara por trás dessa articulação. Tanto ACM Neto quanto Jaques Wagner teriam motivos para preferir que o tema não ganhe maior repercussão e, consequentemente, não interfira na decisão do eleitorado. As informações foram divulgadas pela Gazeta do Povo.

ACM Neto e Conexões com o Banco Master

O nome de ACM Neto foi associado ao Banco Master a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento indicava o recebimento de R$ 5 milhões pelo ex-prefeito, provenientes do Banco Master e da gestora Reag. Na época, Neto declarou que os valores se referiam a serviços de consultoria e se colocou à disposição da Justiça.

ACM Neto não foi alvo da operação da PF desta quinta-feira. Procurados pela reportagem para comentar o suposto acordo eleitoral, ACM Neto e o União Brasil da Bahia não se manifestaram. O espaço para manifestação permanece aberto.

Jaques Wagner e a Investigação da PF

Do lado petista, as investigações miram uma sócia da empresa BK Financeira, casada com um enteado de Jaques Wagner. Segundo a apuração, ela teria recebido pelo menos R$ 11 milhões do Banco Master por meio de um contrato firmado em 2021. Essas transações estiveram sob o escrutínio da PF na atual fase da operação.

Em nota anterior, o senador Jaques Wagner afirmou que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa. Nesta quinta-feira, ele declarou que o apartamento investigado pela PF foi adquirido inicialmente por um empresário para auxiliar sua filha na compra de um imóvel em construção, com a intenção de recomprá-lo posteriormente.

Wagner negou ter atuado em favor do Banco Master, assegurou que o dinheiro em espécie apreendido tem origem legal e minimizou sua relação com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, afirmando ter se encontrado com ele apenas duas vezes. O senador também recebeu um telefonema de solidariedade do presidente Lula e descartou deixar a liderança do governo no Senado ou desistir de sua pré-candidatura à reeleição.

Acordo Abrange Aliados e Outros Partidos

O pacto de silêncio sobre o caso Master na Bahia não se limitaria apenas aos grupos de ACM Neto e Jaques Wagner. A estratégia também valeria para aliados políticos que compõem os palanques de ambos os lados. O PT baiano, além disso, enfrenta questionamentos sobre as conexões do ex-banqueiro Augusto Lima com figuras do partido.

A defesa de Augusto Lima sustentou que as diligências da PF eram desnecessárias e que o empresário está à disposição das autoridades há seis meses, buscando demonstrar a licitude de suas condutas. Lima sempre atuou, segundo seus advogados, dentro dos limites da lei.

Rui Costa e a Privatização da Ebal

Em 2018, quando era governador da Bahia, Rui Costa, atual ministro da Casa Civil, conduziu a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede Cesta do Povo. O negócio foi arrematado por Augusto Lima, que posteriormente deixou o Master e levou consigo o Credcesta, programa de crédito consignado. Rui Costa não foi alvo da Operação Compliance Zero.

Em fevereiro, Costa defendeu a privatização da Ebal, argumentando que o produto de crédito consignado foi crucial para a venda da empresa. Ele não foi alvo da Compliance Zero.

Operação Compliance Zero e Suspeitas contra Wagner

A nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF, colocou Jaques Wagner e familiares entre os alvos das investigações sobre um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras atribuído a Daniel Vorcaro. A operação cumpriu 18 mandados de busca e apreensão e medidas cautelares em diversos estados.

A PF apura a possível participação de agentes públicos em irregularidades envolvendo instituições financeiras. Os investigados são suspeitos de corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro. Há suspeitas de que Jaques Wagner possa ter recebido vantagens indevidas, incluindo um apartamento de luxo, repasses de aproximadamente R$ 3 milhões por meio de empresas ligadas a familiares e o uso de aeronaves de Vorcaro.

Essas linhas investigativas surgiram a partir da análise de mensagens do celular de Augusto Lima. Em manifestações anteriores, Wagner negou temer delação de Vorcaro e admitiu relações comerciais com Lima antes de sua associação com o ex-controlador do Master. A aproximação entre Wagner e Lima teria se iniciado em 2017, no contexto da privatização da Ebal, quando Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia.

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