Sarampo volta a acender alerta no Brasil: quem precisa se vacinar e por quê?
Sarampo volta a acender alerta no Brasil: quem precisa se vacinar e por quê?

Sarampo volta a acender alerta no Brasil: quem precisa se vacinar e por quê?

O sarampo, uma doença viral altamente contagiosa que parecia controlada no Brasil, voltou a gerar preocupação com o registro de novos casos, especialmente no estado de São Paulo. A situação acende um alerta sobre a importância da vacinação e a necessidade de manter altas coberturas imunológicas para evitar a reintrodução e disseminação do vírus no […]

Resumo

O sarampo, uma doença viral altamente contagiosa que parecia controlada no Brasil, voltou a gerar preocupação com o registro de novos casos, especialmente no estado de São Paulo. A situação acende um alerta sobre a importância da vacinação e a necessidade de manter altas coberturas imunológicas para evitar a reintrodução e disseminação do vírus no país.

O Brasil registrou um aumento significativo de casos de sarampo, com 24 confirmações até sexta-feira (7). Deste total, 23 ocorreram em São Paulo e um no Rio de Janeiro. A maioria dos casos está relacionada à importação do vírus, embora a fonte de infecção de todos ainda não tenha sido identificada. Esse cenário ocorre em um contexto de avanço da doença em outros países das Américas, como os Estados Unidos, que enfrentam seu maior surto em 35 anos. Especialistas atribuem o retorno do vírus à queda na vacinação, impulsionada pelo movimento antivacina e pela desinformação.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela BBC News.

Reforço na vacinação e estratégia de bloqueio

Diante do cenário, o governo brasileiro tem reforçado as estratégias de vacinação. Em municípios como Guarulhos e São Bernardo do Campo, além de São Paulo, a orientação atual é oferecer a vacina contra o sarampo a todas as pessoas entre seis meses e 59 anos, independentemente do histórico vacinal. O objetivo é interromper rapidamente possíveis cadeias de transmissão e elevar a proporção de indivíduos protegidos.

Apesar do aumento de casos, especialistas ressaltam que a situação brasileira ainda difere da observada em países com milhares de infecções. Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), aponta que o Brasil ainda não corre o risco de perder a certificação de país livre da circulação endêmica do sarampo, obtida em 2024. No entanto, o momento exige atenção, especialmente com o aumento das viagens internacionais, que facilitam a importação do vírus de regiões onde ele circula ativamente.

O sarampo: uma doença perigosa e subestimada

O sarampo é uma infecção viral extremamente contagiosa, capaz de se espalhar pelo ar através de tosse, espirro ou fala. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 90% das pessoas próximas que não estejam imunes, mesmo antes do aparecimento dos sintomas característicos, como febre alta e manchas vermelhas pelo corpo. Tosse seca e irritação nos olhos também são comuns.

Contrariando a percepção de que se trata de uma doença leve, Bravo alerta que o sarampo pode atingir o sistema nervoso, pulmões e outros órgãos, levando a complicações graves como pneumonia e encefalite (inflamação do cérebro). Estima-se que uma em cada 20 crianças com sarampo desenvolva pneumonia, e uma a quatro a cada mil possam ter encefalite aguda. Além disso, o vírus tem o potencial de enfraquecer temporariamente o sistema imunológico, tornando o indivíduo mais vulnerável a outras infecções.

Quem deve se vacinar e como garantir a proteção?

A necessidade de novas doses da vacina contra o sarampo depende da idade, do histórico de vacinação e da localidade. O calendário de rotina prevê duas doses da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola): a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Para adolescentes e adultos com esquema incompleto, a orientação é procurar um serviço de saúde para iniciar ou completar as doses.

Em situações de alerta, como a atual, estratégias mais amplas podem ser adotadas. Nos municípios que registraram casos, a vacinação está sendo oferecida a pessoas de seis meses a 59 anos, independentemente do histórico. Essa medida visa aumentar rapidamente a cobertura vacinal e dificultar a circulação do vírus.

Para aqueles que não têm certeza sobre seu histórico vacinal, a recomendação é procurar uma unidade de vacinação. É importante verificar não apenas se houve vacinação, mas se as doses recebidas são válidas de acordo com o esquema atual, pois as estratégias de vacinação mudaram ao longo das décadas. Bebês entre seis e 11 meses podem receber a chamada “dose zero” em situações de risco, que é adicional às doses de rotina.

A importância da cobertura vacinal para a proteção coletiva

A vacinação é a principal ferramenta para bloquear a transmissão do sarampo. Altas coberturas vacinais protegem não apenas o indivíduo, mas também a comunidade, incluindo aqueles que não podem ser vacinados por contraindicações médicas ou que são mais vulneráveis, como imunodeprimidos. Para impedir a disseminação sustentada do vírus, é necessário alcançar uma cobertura de pelo menos 95% com o esquema vacinal completo.

As taxas de vacinação no Brasil apresentaram queda a partir de 2015/2016, agravada durante a pandemia de COVID-19, mas têm mostrado recuperação gradual. No entanto, a falta de homogeneidade nas coberturas entre os municípios é um ponto de atenção, pois o vírus pode encontrar nichos de pessoas suscetíveis e se espalhar.

Como o vírus retorna ao país?

O retorno do vírus ao Brasil ocorre por meio de pessoas infectadas que viajam de outros países. Embora o vírus possa apresentar pequenas diferenças genéticas, ele não sofre mutações constantes como outros agentes infecciosos, como os da gripe ou COVID-19. O problema surge quando um indivíduo infectado chega a uma comunidade com baixa imunidade. O que determina se a situação será controlada ou se dará origem a uma nova cadeia de transmissão é a quantidade de pessoas protegidas que o vírus encontra no caminho.

A identificação e o rastreamento de casos importados, seguidos de medidas de contenção, são essenciais. A perda da certificação de país livre do sarampo ocorreria se o vírus passasse a circular de forma sustentada dentro do país, com o surgimento de muitos casos sem vínculo epidemiológico conhecido, indicando transmissão comunitária.

Campanha nacional de multivacinação

Em resposta à situação, o Ministério da Saúde iniciou uma campanha nacional de multivacinação voltada a crianças e adolescentes menores de 15 anos, que seguirá até 1º de setembro. A campanha oferece diversos imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação, com o objetivo de atualizar o esquema vacinal da população e reforçar a proteção contra doenças como o sarampo. O alerta, segundo especialistas, deve ser nacional, pois a proteção coletiva depende da vigilância e imunização de todos os brasileiros.

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