A gravidade do sarampo em crianças pequenas e a importância da vacinação
O sarampo, uma doença viral altamente contagiosa, representa um risco significativo para crianças com menos de cinco anos, podendo evoluir para quadros graves como pneumonia e deixar sequelas neurológicas permanentes. A administradora Jennifer de Matos, ao vacinar sua filha de 1 ano e 8 meses contra a doença em São Paulo, reforçou a importância da imunização. “Se não fosse algo tão sério, o sarampo não teria um protocolo vacinal. É muito importante que todas as crianças tomem a vacina e também estejam com a caderneta vacinal em dia para a própria proteção e a de outras crianças”, declarou.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) alerta que a pneumonia é a principal causa de óbito em crianças menores de um ano infectadas pelo sarampo. Além disso, a doença pode desencadear otite, encefalite aguda e, em casos mais graves, a panencefalite esclerosante subaguda, uma condição cerebral degenerativa que compromete progressivamente as funções cognitivas e motoras.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo e pela Sociedade Brasileira de Pediatria.
A ‘amnésia imunológica’ e os perigos do vírus do sarampo
O presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP, Eduardo Jorge da Fonseca Lima, explica que o vírus do sarampo não é benigno, especialmente para os bebês. Ele atua diminuindo a imunidade geral da criança, abrindo portas para outras infecções. Um dos efeitos mais preocupantes é a chamada “amnésia imunológica”, onde o vírus pode reduzir a memória imunológica do corpo em até 73%, comprometendo a capacidade de combater outros patógenos. Estudos publicados em revistas como Science e Science Immunology embasam esses achados.
A transmissão do sarampo ocorre por via respiratória, e seus sintomas iniciais incluem febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas brancas na boca (lesões de Koplik). A fase exantemática, marcada pelo aparecimento de manchas vermelhas no corpo, geralmente coincide com o desaparecimento da febre. No entanto, a persistência ou o retorno da febre após o surgimento das manchas é um sinal de alerta para complicações.
Sinais de alerta e a importância da vacinação completa
Quando o sarampo evolui para quadros graves, os sinais variam conforme a complicação. Na pneumonia, o retorno da febre alta, respiração ofegante e cansaço extremo indicam gravidade. Na otite, a dor de ouvido é intensa; na encefalite, a criança pode apresentar sonolência excessiva, apatia, convulsões, irritabilidade e dor de cabeça.
O sarampo não possui tratamento específico, focando-se no controle dos sintomas e complicações. Antibióticos só são eficazes contra infecções bacterianas secundárias. A vacina é a principal forma de prevenção e está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). O esquema vacinal recomendado pelo Ministério da Saúde inclui duas doses: a primeira aos 12 meses (tríplice viral) e a segunda aos 15 meses (tetraviral, que inclui varicela). Bebês de 6 a 11 meses e 29 dias em áreas de risco devem receber uma dose inicial, conhecida como “dose zero”.
Situação epidemiológica em São Paulo
A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo confirmou 16 casos de sarampo em 2026, sendo 13 na capital paulista. Desses, dez infectados são bebês com menos de um ano de idade. O caso mais recente registrado foi o de um menino com menos de um ano na capital, que havia recebido apenas uma dose da vacina tríplice viral.
A vacina contra o sarampo é recomendada para crianças a partir de seis meses até adultos com 59 anos, e sua disponibilidade nas UBSs é fundamental para conter a disseminação do vírus e proteger as populações mais vulneráveis.
