Dupla ligada ao PCC é presa por planejar ataques a membros do judiciário paulista
A Polícia de São Paulo capturou Victor Hugo da Silva, conhecido como “VH” ou “Falcão”, e Adilson Audinir Oliveira Junior, o “Ju Machado”, ambos apontados como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão ocorreu após a expedição de mandados de prisão preventiva pela Justiça e representa a conclusão da Operação Recon, que investiga um complexo esquema de monitoramento e planejamento de atentados contra figuras-chave do sistema de justiça e segurança do estado. As informações foram divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
Segundo as investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), os alvos principais dos criminosos seriam o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e Roberto Medina, coordenador das unidades prisionais da Região Oeste (Croeste). Gakiya, com cerca de duas décadas de atuação no combate ao PCC, já vive sob escolta policial desde 2018 e foi responsável por pedir a transferência de lideranças da facção, como Marcola, para presídios federais em 2019.
Os mandados foram cumpridos nas cidades de Presidente Prudente e Álvares Machado, na região oeste paulista. A operação desarticulou o que as autoridades descrevem como uma estrutura sofisticada de espionagem, que incluía o levantamento minucioso de rotinas, endereços, hábitos e trajetos das autoridades e de seus familiares. As informações coletadas, como mapas e fotos de locais frequentados pelas famílias, eram encaminhadas para a “Sintonia Restrita”, setor do PCC responsável pelo planejamento de ações de alto impacto.
Estrutura e armamento em foco na investigação
O nível de detalhamento do monitoramento impressionou as forças de segurança, indicando que o planejamento partia de lideranças da facção em presídios. Além da vigilância, a investigação apontou para a busca por poder bélico. Sérgio Garcia da Silva, o “Messi”, outro denunciado na operação que já estava preso, teria coletado informações sobre a vida do promotor Gakiya e negociado a aquisição de armamentos pesados, incluindo fuzis.
As mensagens interceptadas revelaram a preocupação dos criminosos em apagar provas e conversas relacionadas ao plano de coleta de dados. “VH” é apontado como o responsável direto pelo monitoramento de Medina, chegando a filmar trajetos entre a penitenciária e a residência do coordenador, fotografar placas de veículos e seguir a esposa de Medina em seu percurso para o trabalho.
Ao todo, quatro homens foram denunciados pelo MP-SP em julho. Enquanto “Corinthinha” e “Messi” já estavam detidos, “VH” e “Ju Machado” respondiam em liberdade até a operação deflagrada ontem. A Gazeta do Povo busca contato com as defesas dos acusados e das vítimas.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e pelo Ministério Público de São Paulo.
