Polícia Federal deflagra nova fase de operação contra desvio de verbas da saúde no Rio
A Polícia Federal realizou nesta terça-feira (30) a segunda etapa da Operação Anáfora, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro conectado a um suposto desvio de mais de R$ 563 milhões em recursos públicos destinados à saúde no Rio de Janeiro. A ação tem como alvo pessoas ligadas a Washington Reis (MDB), ex-prefeito de Duque de Caxias e que já foi candidato a vice-governador na chapa de Cláudio Castro (PL) em 2022. Esta não é a primeira vez que Reis é alvo da operação, que teve sua primeira fase deflagrada há quatro anos.
Ao todo, 14 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em endereços no Rio de Janeiro, Niterói e Duque de Caxias. A PF informou que a investigação sobre lavagem de dinheiro foi aprofundada após a primeira etapa da operação em 2022, com indícios de que investigados ocultavam bens em nome de terceiros, realizavam despesas incompatíveis com sua capacidade financeira e participavam de negociações imobiliárias suspeitas.
Washington Reis teve seu registro de candidatura a vice-governador barrado pela Justiça Eleitoral em 2022, sendo substituído por Thiago Pampolha. Após o episódio, Reis assumiu a Secretaria de Estado de Transportes e Mobilidade Urbana. A primeira fase da Operação Anáfora, em setembro de 2022, cumpriu 27 mandados e teve como um dos alvos o próprio Reis e o empresário Mário Peixoto, que já havia sido denunciado na Operação Favorito por suposto envolvimento em um esquema de corrupção durante o governo de Wilson Witzel.
Investigação aponta para organização criminosa em contratos de saúde
As investigações, conduzidas pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU), focam em um suposto favorecimento na contratação de uma cooperativa pela Secretaria de Saúde de Duque de Caxias. O contrato e seus aditivos ultrapassaram a marca de R$ 563,5 milhões em pouco mais de dois anos. Segundo a apuração, a cooperativa seria controlada por um grupo especializado em desvio de recursos públicos, com atuação notória na área da saúde.
Autoridades descreveram a cooperativa como parte de uma organização criminosa estruturada e complexa, que opera no Rio de Janeiro há décadas, explorando um cenário de corrupção sistêmica, com desvio de verbas públicas, especialmente na saúde.
Castro sob escrutínio em outras investigações
A nova fase da Operação Anáfora ocorre em um período em que o governador Cláudio Castro também é investigado pela Polícia Federal em outras apurações. Recentemente, duas investigações ganharam destaque por levantarem suspeitas sobre o uso da estrutura do governo estadual para beneficiar interesses privados.
Na Operação Sem Refino, a PF apura se o governo fluminense atuou para favorecer o grupo Refit, do empresário Ricardo Magro, identificado pela Receita Federal como o maior devedor tributário do país. A investigação sugere que órgãos estaduais, incluindo a Secretaria de Fazenda, teriam sido mobilizados em prol do conglomerado empresarial, o que o governador nega. Já na oitava fase da Operação Compliance Zero, a investigação se concentra na atuação de Castro na viabilização de cerca de R$ 3 bilhões em investimentos da Rioprevidência em papéis de alto risco do Banco Master. A PF aponta indícios de proximidade entre Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro, sugerindo que o governador teria exercido um papel politicamente relevante para a realização desses aportes. A defesa do ex-governador refuta todas as irregularidades.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Polícia Federal e reportagens jornalísticas.
