PF intensifica cerco contra desvio de verbas parlamentares; R$ 379 milhões sob suspeita
PF intensifica cerco contra desvio de verbas parlamentares; R$ 379 milhões sob suspeita

PF intensifica cerco contra desvio de verbas parlamentares; R$ 379 milhões sob suspeita

Polícia Federal aprofunda investigações sobre desvios de verbas de deputados e senadores, com operações em diversas regiões do país. A Polícia Federal tem intensificado suas ações contra o uso irregular de verbas públicas destinadas por parlamentares a estados e municípios, sejam elas provenientes de cotas ou emendas. Somente nos primeiros dez dias de julho, a […]

Resumo

Polícia Federal aprofunda investigações sobre desvios de verbas de deputados e senadores, com operações em diversas regiões do país.

A Polícia Federal tem intensificado suas ações contra o uso irregular de verbas públicas destinadas por parlamentares a estados e municípios, sejam elas provenientes de cotas ou emendas. Somente nos primeiros dez dias de julho, a instituição realizou operações em sete estados e no Distrito Federal, investigando suspeitas de desvio de finalidade de recursos que somam, ao menos, R$ 379 milhões. As investigações apontam para esquemas que envolvem desde a indicação indevida de destinos para as verbas até a execução precária ou inexistente de obras e serviços.

Um dos desdobramentos mais recentes ocorreu nesta sexta-feira (10), quando o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 119 milhões pertencentes a Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL. A suspeita recai sobre a indicação de destino para emendas parlamentares por parte dele, em vez dos deputados e senadores. Anteriormente, na quinta-feira (9), uma operação no Rio de Janeiro focou no ex-deputado federal Chiquinho Brazão, um dos condenados como mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco em 2018. Brazão, juntamente com outras pessoas, é investigado por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa em relação ao desvio de verbas.

As ações da PF em julho começaram em Goiás, Minas Gerais e no Distrito Federal, com foco em dois empresários ligados ao deputado federal Sósténes Cavalcante (PL). Eles são suspeitos de sacar R$ 15 milhões em espécie, movimentação considerada atípica pela Justiça. A investigação nesse caso apura irregularidades na Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), verba mensal destinada a despesas de transporte e outras atividades dos parlamentares. Sósténes Cavalcante nega qualquer irregularidade.

Outra frente de investigação é a Operação Acesso Negado, deflagrada em Roraima, que apura supostos desvios de R$ 145 milhões em emendas destinadas aos municípios de Iracema e São Luiz do Anauá. A operação resultou em 41 mandados de busca e apreensão em Roraima, São Paulo, Bahia e Tocantins. Nesta fase, os investigados são gestores municipais, empresas e empresários acusados de obras não executadas, mal executadas ou superfaturadas, sem o envolvimento direto de parlamentares.

O crescimento das emendas e os desafios de fiscalização

Paralelamente às investigações sobre desvios, o governo federal registrou um recorde no pagamento de emendas parlamentares em 2026. Até 4 de julho, foram liberados R$ 33,89 bilhões do Orçamento da União para projetos definidos por deputados e senadores, a maior quantia já registrada para períodos pré-eleitorais na história do Brasil. Embora a liberação de emendas seja uma estratégia para angariar apoio político, o volume crescente e a dificuldade em rastrear o destino final dos recursos, especialmente quando passam por estruturas locais com baixa capacidade de fiscalização, criam um ambiente propício para irregularidades.

O cientista político Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos, destaca que o Poder Legislativo aumentou seu controle sobre o orçamento, mas nem sempre assumiu a responsabilidade pela qualidade da execução. Ele aponta que a falta de transparência, a pulverização excessiva de recursos e a baixa avaliação de impacto abrem espaço para favorecimento político, clientelismo, sobrepreço e desvio. A defesa de Valdemar da Costa Neto, por sua vez, alega que o bloqueio de seus bens baseia-se em “premissas frágeis” e que a atuação político-partidária é legítima em uma democracia, não configurando crime sem indícios concretos de fraude ou apropriação indevida.

Arruda enfatiza a necessidade de rastreabilidade total das emendas, desde a indicação até a execução final e a entrega do serviço ao cidadão. Ele defende que toda emenda deve ter transparência integral, critério público, rastreabilidade, avaliação de resultado e responsabilização de todos os envolvidos. Segundo ele, o Tribunal de Contas da União tem buscado criar mecanismos para isso, mas o país ainda está distante do ideal em termos de controle e prevenção à corrupção.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Polícia Federal e pelo sistema Siga Brasil, mantido pelo Senado.

Tags:

Veja Também

PGR defende envio de armas de Bolsonaro ao Exército para destruição ou doação

PGR defende envio de armas de Bolsonaro ao Exército para destruição ou doação

Ossos descobertos em Taiwan ampliam o mistério sobre os enigmáticos Denisovanos

Ossos descobertos em Taiwan ampliam o mistério sobre os enigmáticos Denisovanos

Novos fármacos e adesão ao tratamento: a batalha contra o colesterol alto no Brasil

Novos fármacos e adesão ao tratamento: a batalha contra o colesterol alto no Brasil

SUS lança teleatendimento psicológico para mulheres vítimas de violência

SUS lança teleatendimento psicológico para mulheres vítimas de violência

Eduardo Bolsonaro endossa crítica de Allan dos Santos a Michelle Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro endossa crítica de Allan dos Santos a Michelle Bolsonaro