Petrobras não antecipou escalada do preço do petróleo e estuda novas medidas
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, admitiu que a estatal foi pega de surpresa pela recente alta nos preços internacionais do petróleo, que atingiram US$ 116,93 por barril. Segundo ela, a expectativa era de uma queda nas cotações após o pico registrado em meados do ano, e que o conflito entre Estados Unidos e Irã teria uma duração mais curta. A companhia já iniciou discussões sobre como responder a essa nova realidade de mercado, mas ainda não definiu as ações a serem implementadas.
“Quando o preço do petróleo foi para US$ 120 em meados do ano, todas as expectativas eram de que ele decrescesse. E que a guerra [no Irã] durasse pouco. Ninguém imaginou que nós íamos ter um final de outubro com o barril a US$ 116”, declarou Chambriard em entrevista ao jornal O Globo. A executiva também ressaltou a importância de evitar a repetição de equívocos na política de preços, como os ocorridos em 2018 e 2019, quando o acompanhamento excessivamente próximo das cotações internacionais resultou em perda de participação de mercado e receitas para a Petrobras.
A presidente da Petrobras sinalizou que a empresa está considerando os impactos comerciais de uma eventual alteração nos preços dos combustíveis, diante da pressão exercida pelo cenário internacional. A disparada dos preços do petróleo foi parcialmente atribuída por Chambriard aos efeitos da guerra sobre a infraestrutura global de refino e o transporte de combustíveis. “O que a gente viu com a guerra entre Estados Unidos e Irã foi uma destruição de refino no mundo, com um salto no spread do diesel”, explicou.
Impactos da guerra e estratégia futura
Chambriard também destacou o aumento nos custos de transporte marítimo, decorrente de restrições nas rotas de navegação e da necessidade de trajetos mais extensos para abastecer os mercados. Essa combinação de fatores, segundo a presidente, comprometeu a segurança energética e intensificou a pressão sobre o fornecimento de diesel e gás. Diante desse quadro, a Petrobras defende o aumento da produção nacional de petróleo e a busca por novos mercados compradores no exterior. Como exemplo de expansão, citou a primeira venda de petróleo bruto da companhia ao Japão, um mercado até então inexplorado pela estatal.
