Hypera Pharma protocoliza Semavy, nova caneta de semaglutida sintética no Brasil
A indústria farmacêutica brasileira se prepara para receber o Semavy, o segundo medicamento nacional contendo semaglutida sintética. A Hypera Pharma é a responsável pela nova caneta injetável, que já teve seu nome publicado no protocolo oficial da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). O produto aguarda o registro sanitário da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), processo que segue em análise e pode ser concluído a qualquer momento.
O Semavy será destinado ao tratamento do diabetes tipo 2, mas, por enquanto, não há previsão para pedidos de uso voltados à perda de peso. A substância ativa será importada, embora o país de origem ainda não tenha sido divulgado pela farmacêutica. A Hypera Pharma, sediada em São Paulo, é conhecida por seu portfólio diversificado, liderando o mercado de medicamentos isentos de prescrição, suplementos e vitaminas.
A chegada do Semavy ao mercado representa um passo importante na democratização do acesso a tratamentos com semaglutida no Brasil. O primeiro medicamento nacional com essa substância, o Ozivy, da EMS, foi aprovado pela Anvisa em maio deste ano, pouco mais de dois meses após a expiração da patente do medicamento original. O Ozivy já começou a ser distribuído em redes farmacêuticas de capitais e tem previsão de cobertura nacional até julho, com preços a partir de R$ 452 por caneta.
Contexto e expectativas do mercado
Tanto o Ozivy quanto o Semavy são classificados como medicamentos novos pela Anvisa, e não como genéricos, similares ou biossimilares. Essa classificação, no entanto, não impede que a concorrência entre as opções nacionais e o medicamento importado original, Ozempic (da Novo Nordisk), leve a uma redução nos preços das canetas de semaglutida. Atualmente, o Ozempic tem preços que variam de R$ 975 a R$ 975, dependendo da dosagem.
O mercado de semaglutida no Brasil movimenta anualmente cerca de R$ 5 bilhões, sem considerar produtos de farmácias de manipulação ou contrabandeados. As chamadas canetas emagrecedoras, que contêm agonistas de GLP-1, atuam no controle da glicose e na sensação de saciedade. Além do Ozempic, o Mounjaro (tirzepatida, da Eli Lilly) é outra marca conhecida, mas a procura por produtos de origem paraguaia e de manipulação tem crescido, levando a Anvisa a intensificar o controle sobre produtos sem registro nacional.
Em resposta à perda de patente, a Novo Nordisk firmou parceria com a Eurofarma para o lançamento das semaglutidas Poviztra (para perda de peso) e Extensior (para diabetes). O governo brasileiro também monitora o registro de novos produtos com o objetivo de incorporá-los ao Sistema Único de Saúde (SUS), um processo que envolve avaliações da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) sobre a vantagem terapêutica e o impacto orçamentário.
A disputa pelo mercado de emagrecedores ganhou atenção especial do governo Lula em 2023, com a Anvisa agilizando a análise de pedidos de medicamentos contendo liraglutida ou semaglutida, a pedido do Ministério da Saúde.
