General Hamilton Mourão (Republicanos-RS) dispara contra a PEC que visa extinguir a escala 6×1, rotulando-a como uma manobra demagógica do governo Lula.
O senador e ex-vice-presidente da República, Hamilton Mourão, teceu críticas contundentes à Proposta de Emenda à Constituição (PEC 8/2025), que busca extinguir a escala de trabalho 6×1. Segundo Mourão, a iniciativa, que se tornou uma das principais bandeiras de propaganda do governo petista para as eleições de 2026, é uma estratégia eleitoreira disfarçada de benefício social. Ele classificou a proposta como um “golpe demagógico” destinado a mascarar o desempenho econômico da gestão atual e a “anestesiar o eleitorado” às vésperas do pleito.
Em entrevista à Gazeta do Povo, Mourão afirmou: “A PEC pelo fim da escala 6×1 é tanto populista quanto oportunista. Recentemente, foi integrada como bandeira de pré-campanha do PT em uma tentativa de criar uma marca do atual governo dentro de uma estratégia com fins eleitoreiros, como temos testemunhado com o pacote de benesses, a exemplo do Desenrola, do Move Brasil”. O parlamentar aponta que a investida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso Nacional tenta impor uma mudança estrutural ao setor produtivo sem uma análise técnica aprofundada de seus impactos econômicos, em troca de dividendos eleitorais imediatos.
Responsabilidade fiscal em risco, segundo o senador
Mourão alertou para os riscos de um colapso financeiro sem precedentes no Brasil, caso o governo insista em inserir “benesses insustentáveis” na Carta Magna. Ele destacou o que considera oportunismo eleitoral por trás das promessas do presidente Lula, argumentando que o país já não suporta a atual irresponsabilidade fiscal. “O país não aguenta tanta irresponsabilidade fiscal e o que hoje já é considerado um quadro preocupante relativo às contas públicas irá piorar em 2027, com perspectivas de escalada maior da dívida, com efeitos nefastos sobre a economia e sobre o bolso de todos os brasileiros”, explicou o senador.
O senador gaúcho defende que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho deve ocorrer em um ambiente de negociação livre entre empregados e empregadores, sem a necessidade de alterações constitucionais. “Essa questão trabalhista não deve estar em texto constitucional, e compete a acordo entre patrão e empregado dentro do que classificamos liberdade contratual, que é adotada em diversos países”, disse Mourão.
Calendário eleitoral e impasses no Congresso
A tramitação da PEC da jornada de trabalho enfrenta obstáculos no Congresso Nacional, especialmente diante do apertado calendário legislativo imposto pelas eleições de 2026. Interlocutores informaram à Gazeta do Povo que uma nova reunião entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está sendo articulada para a próxima semana. Contudo, o tempo disponível para análise de uma proposta de emenda constitucional que altera a estrutura produtiva nacional é considerado insuficiente. Além disso, a pauta do Plenário do Senado tem prioridade para matérias orçamentárias obrigatórias, como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027.
O presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), confirmou que não recebeu qualquer sinalização ou prazo de Alcolumbre para o envio da PEC ao colegiado. A oposição reforça a crítica de que a tentativa de impor a redução da jornada sem estudos de impacto fiscal e produtivo adequados serve unicamente ao oportunismo político do PT.
