Michelle Bolsonaro enfrenta cefaleia refratária e recebe alta após tratamento
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) relatou ter passado por 16 dias consecutivos de fortes dores de cabeça. Ela foi internada no Hospital DF Star, em Brasília, com um quadro de cefaleia refratária, caracterizada por dores de cabeça intensas, que podem evoluir para enxaquecas, e que não cedem a medicamentos comuns. A condição a impediu de comparecer à convenção do PL no Distrito Federal, evento que oficializou sua pré-candidatura ao Senado.
Após receber alta, Michelle Bolsonaro agradeceu o apoio médico e declarou: “Hoje (segunda) amanheci novamente com dores, resolveram fazer mais um bloqueio. (…) Quero agradecer ao nosso futuro presidente Flávio (Bolsonaro) e à nossa futura senadora Bia Kicis”. Ela recebeu orientação para manter acompanhamento médico.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Hospital DF Star e declarações de Michelle Bolsonaro.
Entenda o tratamento para cefaleia refratária
Para combater a dor persistente, a equipe médica optou por um bloqueio anestésico dos nervos cranianos e pericranianos. O procedimento envolve a injeção de anestésicos locais, por vezes combinados com corticosteroides, em nervos periféricos da cabeça. O objetivo é interromper temporariamente os sinais de dor que chegam ao cérebro. Embora o efeito seja temporário, a técnica pode proporcionar alívio rápido e, em alguns casos, benefícios duradouros em crises agudas, com o distensionamento dos nervos podendo render dias ou semanas de melhora, segundo médicos.
Enxaqueca: uma condição neurológica complexa
A neurologista Amaal Starling, da Mayo Clinic, explica que a enxaqueca é uma alteração funcional do cérebro e uma das principais causas de incapacidade mundial, afetando desproporcionalmente as mulheres. Os gatilhos para a enxaqueca são altamente individualizados, mas o estresse é apontado como um dos mais relevantes. Pesquisas da Mayo Clinic indicam que o bloqueio de nervos como o occipital, localizado na parte superior do pescoço, oferece alívio moderado a significativo para cerca de 82% dos pacientes com enxaqueca aguda.
Em casos refratários, como o de Michelle Bolsonaro, é fundamental uma investigação contínua para descartar causas secundárias, como alterações vasculares, e avaliar fatores de risco como estresse, privação de sono e uso excessivo de analgésicos. O tratamento integral geralmente combina medicações preventivas, mudanças no estilo de vida e procedimentos pontuais, como os bloqueios anestésicos.
Crise de dor em meio a definições políticas
A internação de Michelle Bolsonaro ocorreu na véspera da convenção do PL, momento em que sua decisão sobre concorrer ao Senado ainda gerava dúvidas. Após reuniões com lideranças do partido, ela indicou que conversaria com o ex-presidente Jair Bolsonaro. O cenário político em torno de sua candidatura foi marcado por desentendimentos públicos com o enteado, Flávio Bolsonaro, e pela posterior saída dela da presidência nacional do PL Mulher. A instabilidade levou dirigentes do partido a temerem um enfraquecimento da chapa no Distrito Federal e da campanha presidencial.
