Brasil se prepara para a Inteligência Artificial com foco em soberania e desenvolvimento nacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta terça-feira (11) que o governo brasileiro está pronto para adentrar a era da Inteligência Artificial (IA), mas com um objetivo distinto do de competir diretamente com potências globais como China e Estados Unidos. A meta, segundo o presidente, é primariamente focar no desenvolvimento interno e na capacidade do país de ser “dono do seu próprio nariz” no setor tecnológico. A declaração foi feita durante uma reunião sobre soberania digital, que reuniu ministros, especialistas da sociedade civil e do mercado.
Um dos principais entraves identificados por Lula para o avanço da IA no âmbito estatal é a fragmentação de informações. Ele criticou a existência de uma cultura em que ministérios e órgãos, como Saúde, Educação e Forças Armadas, retêm dados de forma isolada, como se fossem propriedade privada, com o intuito de “manter poder”. Essa prática, segundo o presidente, impede a formação de uma inteligência centralizada e eficiente, onde a própria inteligência se torna um instrumento de poder.
Para superar essa barreira, Lula defendeu a integração das bases de dados governamentais, com o envolvimento de empresas como Serpro e Dataprev. Em uma analogia com o futebol, o presidente comparou a fuga de cérebros na área digital com a venda precoce de jovens talentos para clubes europeus. Ele enfatizou a necessidade de criar oportunidades para que esses especialistas permaneçam no Brasil, jogando “no Corinthians, no Bragantino, no Vasco”, em vez de serem exportados para o “Real Madrid ou Barcelona”.
Brasil aposta em nichos e IA em português
O governo planeja direcionar seus esforços em IA para setores onde o Brasil já detém liderança e dados únicos, como agricultura, saúde e energia. Adicionalmente, um desafio estratégico destacado é o desenvolvimento de uma Inteligência Artificial em língua portuguesa. Para tanto, o presidente mencionou a busca por parcerias com países como a Espanha, visando garantir uma identidade cultural e linguística própria no campo tecnológico.
As informações foram reunidas a partir de declarações divulgadas pelo Palácio do Planalto.
