Justiça aceita denúncia contra influenciadora e líder do PCC por lavagem de dinheiro
A Justiça de São Paulo acolheu a denúncia do Ministério Público e tornou réus a influenciadora Deolane Bezerra e Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo do Primeiro Comando da Capital (PCC). Além deles, outras quatro pessoas foram denunciadas sob acusação de integrar um esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa. Todos os envolvidos negam as acusações.
Deolane Bezerra encontra-se detida na penitenciária de Tupi Paulista desde sua prisão na Operação Vêrnix, em 22 de maio. Marcola, por sua vez, está preso desde 2019. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), dois dos denunciados estão foragidos no exterior, enquanto outros dois já estão sob custódia.
Conforme a denúncia, o grupo operou entre os anos de 2018 e 2025 uma estrutura financeira destinada a dissimular e reintroduzir na economia formal recursos ilícitos provenientes das atividades do PCC. O principal veículo utilizado para esse fim teria sido a empresa Lopes Lemos Transportes Ltda., popularmente conhecida como Transportadora Lado a Lado. A companhia recebia ordens de Marcola e de outro suspeito para repassar os rendimentos obtidos para os demais integrantes da rede criminosa.
A dinâmica descrita pela investigação aponta que Deolane Bezerra recebia depósitos fracionados originados da transportadora, ocultando a real procedência dos valores através do uso de contas bancárias pessoais. A suspeita é que a influenciadora planejasse reestruturar empresas e transferi-las para fundos sediados em outros países, promovendo assim a lavagem de dinheiro de valores oriundos de membros da facção.
Um outro membro do grupo era responsável por supervisionar as prestações de contas e o fluxo financeiro, atuando como um operador intermediário. Familiares de Marcola, por determinação do líder, recebiam parcelas dos rendimentos ilícitos, ficando encarregados de distribuí-los com base em informações repassadas pelo comando da organização.
Defesas negam envolvimento e criticam prisão
O advogado de Deolane Bezerra, Aury Lopes, afirmou que sua cliente não possui qualquer vínculo com a facção criminosa e que não cometeu nenhum crime. Ele classificou a prisão como “desnecessária” e “midiática”, argumentando ainda que a detença de Deolane penaliza sua filha menor de 12 anos, que depende dela.
Já a defesa de Marcola sustentou que ele está preso há mais de 20 anos e, dessa forma, seria impossível para ele articular qualquer esquema criminoso de dentro da cadeia. Os advogados declararam que comprovarão a origem lícita dos capitais movimentados.
Contexto da Operação Vêrnix
A prisão de Deolane Bezerra no âmbito da Operação Vêrnix, que investiga suposta associação com o PCC e lavagem de dinheiro, reacendeu discussões nas redes sociais, incluindo imagens da influenciadora ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As investigações, conduzidas pelo MP e pela Polícia Civil de São Paulo, apontam para uma ligação entre a influenciadora e pessoas próximas a Marcola entre 2022 e 2024. Deolane tem defendido sua inocência, alegando ter atuado como advogada do líder do PCC e que sua prisão ocorreu no exercício da profissão.
