Eduardo Bolsonaro obtém residência permanente nos EUA em meio a atritos diplomáticos
A concessão do green card ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que permite a residência por tempo indeterminado nos Estados Unidos, tem sido amplamente noticiada pela imprensa internacional. A agência alemã DW e a italiana Ansa destacam que a medida surge em um cenário de crescente tensão entre Brasil e Estados Unidos, com a recente imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros pelo governo americano, sob a alegação de “práticas comerciais desleais”.
A DW ressalta que, na primeira rodada de tarifas, o então presidente Donald Trump já havia vinculado a medida a uma suposta perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente por ações do Judiciário brasileiro. A Ansa, por sua vez, menciona a condenação de Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, e aponta que o ex-parlamentar, que reside nos EUA há mais de um ano, alega “perseguição política”.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela DW, Ansa e Reuters.
Laços com conservadores americanos e acusações de lobby
A agência britânica Reuters também noticiou o novo tarifário, que entrou em vigor nesta quarta-feira (22), e lembrou que Eduardo Bolsonaro tem cultivado laços com conservadores nos Estados Unidos e com a administração Trump. A reportagem aponta que adversários políticos de Eduardo e de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro, já acusaram a dupla de atuar contra os interesses do Brasil nos EUA, o que, segundo críticos, poderia ter influenciado a imposição das tarifas americanas.
Tanto Eduardo quanto Flávio Bolsonaro negaram ter solicitado ao governo Trump a aplicação de tarifas sobre as exportações brasileiras. Eduardo Bolsonaro, que já possuía autorização para trabalhar nos EUA antes de obter o green card, declarou que só retornará ao Brasil se receber anistia. A ele, a Reuters atribui a frase: “Pelo menos aqui [nos Estados Unidos] eu sou livre”.
