Governo brasileiro contesta tarifas impostas pelos EUA e sinaliza retaliação
Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (16), membros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiteraram as críticas aos Estados Unidos em resposta à imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Autoridades classificaram a decisão de Washington como politicamente motivada, refutaram as justificativas apresentadas e indicaram a possibilidade de o Brasil acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, além de oferecer suporte financeiro às indústrias prejudicadas.
A ação americana teve origem em uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que em junho concluiu que diversas políticas e práticas brasileiras, classificadas como “irracionais” ou “discriminatórias”, impõem barreiras ao comércio dos EUA. A investigação foi iniciada em julho de 2025 por determinação do então presidente Donald Trump.
Participaram da coletiva os ministros da Fazenda, Dario Durigan; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Mário Fernando Elias Rosa; o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; o ministro interino do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco; e a secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo governo federal.
Alckmin aponta “sabotagem” e defende reciprocidade
O vice-presidente Geraldo Alckmin abriu o pronunciamento classificando a medida dos EUA como “injusta” e as justificativas americanas como “falsas”. Ele afirmou que o governo brasileiro está preparado para adotar medidas de reciprocidade e atribuiu parte da crise à atuação de “quem tenta sabotar o Brasil lá fora”, em alusão velada a adversários políticos. Alckmin também destacou o empenho do governo em apoiar os trabalhadores e empresas nacionais e sinalizou a busca por diversificar mercados para reduzir a dependência das exportações para os Estados Unidos.
Motivação política e apoio setorial em pauta
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou a visão de que a decisão americana possui motivação política e criticou parlamentares da oposição que apoiaram a medida, classificando tal postura como “falta de patriotismo”. O chanceler Mauro Vieira acusou os EUA de agirem por revanchismo, argumentando que a retaliação se deve à “recusa do Brasil em se curvar a pretensões desmedidas e demandas irrazoáveis”.
Mário Fernando Elias Rosa anunciou que o governo está elaborando um pacote de apoio aos setores afetados, incluindo mecanismos de financiamento e a prospecção de novos mercados. O ministro também contestou as exigências americanas, afirmando que o Brasil conduziu as negociações em defesa de sua soberania.
Contestação sobre Pix e desmatamento
O governo americano justificou a tarifa citando o funcionamento do Pix, alegando que o Banco Central, ao atuar como regulador e operador, poderia favorecer a plataforma pública em detrimento de empresas privadas de pagamento digital, incluindo americanas. Gabriel Galípolo e Maria Rosa Guimarães Loula rebateram essas alegações.
Outro ponto levantado pelos EUA foi a suposta inefetividade da legislação brasileira no combate ao desmatamento ilegal, o que prejudicaria a competitividade de empresas americanas. O ministro interino do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, rejeitou a acusação, reafirmando o compromisso do Brasil com o combate ao desmatamento e criticando a desconsideração, por parte dos EUA, de relatórios técnicos apresentados pelo ministério.
