Goleiro Iraniano Preso Após Críticas ao Regime Islâmico
Durante a Copa do Mundo de 2026, as arquibancadas em Los Angeles se tornaram um palco de protesto por parte de torcedores iranianos contra a ditadura em seu país. O foco das manifestações é o paradeiro de Rashid Mazaheri, ex-goleiro da seleção nacional, que foi preso pelas autoridades após criticar publicamente o líder supremo do Irã.
Mazaheri foi detido em fevereiro de 2026, após publicar em suas redes sociais uma crítica direta a Ali Khamenei, então líder supremo da República Islâmica. O goleiro classificou o líder como um “capítulo sombrio e passageiro” na história do país. Pouco tempo depois, forças de segurança invadiram sua residência, apreenderam seus dispositivos de comunicação e apagaram suas contas digitais, o que culminou em seu desaparecimento e posterior confirmação de prisão.
Versões Divergentes Sobre a Detenção e Repressão ao Esporte
O Judiciário iraniano apresenta uma narrativa distinta da defendida por organizações de direitos humanos. Segundo a agência oficial do regime, Mazaheri teria sido preso próximo à fronteira enquanto tentava fugir do país de forma ilegal e disfarçada. Ele foi acusado de crimes graves, como propaganda contra o regime em tempo de guerra e tentativa de corrupção de funcionário público. Em contraste, sua esposa denuncia que ele estaria sofrendo em confinamento solitário.
A repressão do regime iraniano ao esporte tem sido intensa. Levantamentos indicam que pelo menos 44 jogadores foram mortos em protestos entre o final de 2025 e o início de 2026. Entre as vítimas estão jovens promessas das categorias de base, com apenas 15 anos, e atletas profissionais que foram alvejados durante manifestações. Adicionalmente, jogadoras da seleção feminina buscaram asilo na Austrália após se recusarem a cantar o hino nacional em protesto contra a falta de liberdade.
Dificuldades da Seleção Iraniana e Controle da Guarda Revolucionária
A seleção do Irã enfrentou obstáculos para entrar nos Estados Unidos para a Copa do Mundo. O governo americano barrou a entrada de mais da metade da delegação indicada por Teerã. Dos 120 nomes previstos, apenas 53 foram autorizados. Autoridades de segurança dos EUA alegaram que o regime tentou infiltrar agentes com ligações diretas com a Guarda Revolucionária Islâmica — um grupo militar ideológico considerado organização terrorista por Washington — no voo que transportava a equipe de futebol.
Relatórios de oposição indicam que o regime iraniano utiliza estádios e clubes como ferramentas de vigilância. Câmeras de reconhecimento facial e sistemas de bilhetagem vinculados ao registro civil nacional são empregados para identificar e monitorar torcedores dissidentes. Estima-se que 15 figuras de alto escalão da segurança e inteligência do Irã ocupem cargos de direção em federações e clubes, incluindo o atual presidente da Federação de Futebol do país, evidenciando o controle do regime sobre o esporte.
