Declarações polêmicas e lapsos verbais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm gerado apreensão em sua equipe de campanha e tem sido um prato cheio para a oposição. Os episódios, que vão desde confusões com nomes e situações delicadas até declarações que geram polêmica, têm se avolumado, levando o entorno do petista a tentar, sem muito sucesso, limitar os discursos improvisados. A tarefa, contudo, é considerada ingrata, dada a longa trajetória e a experiência do presidente.
Analistas apontam que os deslizes afetam a credibilidade da comunicação de Lula e levantam preocupações sobre seu desgaste físico diante do ritmo intenso da campanha. Um dos momentos de maior repercussão ocorreu durante uma sabatina na TV Globo, onde o presidente, ao ser questionado sobre ajuste fiscal, tentou ensinar a apresentadora Renata Vasconcellos a formular a pergunta. A atitude foi amplamente interpretada como um caso de ‘mansplaining’, gerando críticas nas redes sociais e entre comentaristas.
Ainda na sabatina, o tema da corrupção se mostrou um ponto sensível. Pressionado sobre investigações envolvendo seu filho e a lobista Roberta Luchsinger, Lula negou conhecer a empresária. No entanto, a declaração foi rapidamente desmentida por fotos divulgadas nas redes sociais, que mostravam ambos juntos em 2022. Especialistas consideraram o episódio um “erro primário” que sinaliza uma possível “incapacidade de enfrentar essa eleição” diante da falta de controle em ambientes abertos.
Lapsos com nomes e declarações sobre profissões geram polêmica
Dias depois, em um discurso em Belo Horizonte, Lula cometeu uma gafe ao confundir a atual primeira-dama, Janja, com sua falecida esposa, Marisa Letícia, dizendo “Perdi a Janja depois de 45 anos de casado”. Não foi a primeira vez que o presidente misturou os nomes, tendo cometido equívoco semelhante em fevereiro do mesmo ano.
Outro trecho do mesmo discurso em Belo Horizonte gerou forte repercussão. Ao falar sobre desigualdade e educação, Lula descreveu a profissão de gari como “muito pobre” e “que não dá orgulho”, afirmando que “lixeiro é uma coisa pobre de quem não pode estudar”. A declaração foi prontamente explorada por adversários políticos, que acusaram o presidente de “humilhar os garis” e desvalorizar o trabalho de milhões de brasileiros. Grupos de garis reagiram, expressando orgulho de suas profissões, e a polêmica chegou ao horário eleitoral.
Especialistas analisam o impacto das gafes na campanha
Para cientistas políticos, as gafes e lapsos de Lula estão dentro da dinâmica esperada de uma campanha eleitoral polarizada, onde a oposição busca explorar qualquer deslize. No entanto, alguns analistas apontam que falas como a sobre os garis têm maior impacto junto à população, por serem mais acessíveis do que temas como déficit fiscal ou o STF. A impulsividade e a falta de adaptação ao dinamismo das redes sociais são apontadas como fatores que contribuem para os deslizes, com alguns comparando a situação à campanha de Joe Biden nos Estados Unidos, citando o desgaste e a quebra de confiança na capacidade do candidato.
O histórico de declarações infelizes de Lula ao longo de seu terceiro mandato é extenso. Desde o início do governo, foram registradas cerca de 170 falas com incorreções ou distrações. Entre elas, destacam-se comparações da situação palestina ao Holocausto, que gerou crise diplomática com Israel; afirmações sobre “hegemonia branca” e referências a Hitler; declarações sobre “problema de parafuso” em criminosos; e contradições sobre a meta de déficit zero. Declarações consideradas machistas, como chamar a diretora-geral do FMI de “mulherzinha” ou justificar a escolha de Gleisi Hoffmann por ser “bonita”, também somam-se ao histórico.
As informações foram reunidas a partir de reportagens e análises divulgadas pela Gazeta do Povo e por cientistas políticos ouvidos pela publicação.
