Céu alaranjado e ar irrespirável marcam o nordeste dos Estados Unidos, com cidades como Nova York, Chicago e Detroit emitindo alertas de saúde pública devido à densa fumaça de incêndios florestais no Canadá. A combinação com uma onda de calor agrava a situação, dificultando a dispersão das partículas e levando autoridades a recomendar que os moradores permaneçam em suas casas e utilizem máscaras N95 caso precisem sair.
Desde a tarde de quarta-feira (15), a visibilidade foi severamente comprometida e a qualidade do ar em várias metrópoles americanas atingiu índices perigosos. Chicago, por exemplo, registrou um índice de qualidade do ar superior a 540 pontos nesta quinta-feira (16), um patamar considerado o pior possível pela escala nacional, que mede a presença de poluentes como ozônio, partículas finas, monóxido de carbono e dióxidos de nitrogênio e enxofre. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a inalação dessas partículas finas, especialmente em exposições prolongadas, pode levar a mortes prematuras e agravar ou causar uma série de doenças que afetam múltiplos órgãos.
A fumaça, originada por centenas de focos de incêndio no Canadá, é considerada mais tóxica que a poluição atmosférica comum e pode viajar milhares de quilômetros, permanecendo no ar por semanas. Estudos associam essa exposição a um aumento no risco de infartos, derrames, câncer, complicações na gravidez e enfraquecimento do sistema imunológico. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo governo canadense e reportagens de veículos como o Minnesota Star Tribune.
Origem e Intensidade dos Incêndios Canadenses
A temporada de incêndios florestais no Canadá, que geralmente ocorre entre maio e outubro, já contabiliza 858 focos ativos, com 111 deles considerados fora de controle, concentrados principalmente nas províncias centrais de Manitoba, Saskatchewan e Ontário. Embora o governo canadense tenha indicado que a temporada começou mais lentamente em comparação com anos anteriores, as temperaturas mais altas que o normal têm tornado as queimadas mais frequentes e intensas, afetando aproximadamente 2,4 milhões de hectares até o momento. Incidentes como um trem da Canadian National cercado por fogo perto de Armstrong, Ontário, e a necessidade de resgate de grupos de crianças em acampamentos em Minnesota ilustram a gravidade da situação.
Impacto e Medidas de Emergência nos EUA
A situação no nordeste dos Estados Unidos é agravada pela persistência de uma onda de calor, com temperaturas ultrapassando os 30°C, que dificulta a dispersão da fumaça. Em Nova York, o prefeito Zohran Mamdani instruiu a população a evitar sair de casa, enfatizando que os efeitos na saúde podem afetar a todos, não apenas grupos de risco. A prefeitura tem distribuído máscaras N95 em bibliotecas, delegacias e centros de saúde. Além disso, os 600 centros de resfriamento abertos para combater o calor agora também servem como refúgio para aqueles que buscam ar mais limpo. Em Chicago, autoridades fecharam praias e piscinas públicas para mitigar a exposição da população.
A onda de calor e a fumaça também impactam eventos de lazer e esportivos. A final da Copa do Mundo, prevista para ocorrer na região metropolitana de Nova York neste fim de semana, pode ser afetada, embora a expectativa seja de que a fumaça já tenha se dissipado até lá, mas o calor deve persistir. Políticos republicanos têm aproveitado a situação para criticar a gestão ambiental do governo canadense, com senadores propondo sanções contra o país.
