Fóssil de 400 milhões de anos no Paraná revela espécie anterior aos dinossauros
Fóssil de 400 milhões de anos no Paraná revela espécie anterior aos dinossauros

Fóssil de 400 milhões de anos no Paraná revela espécie anterior aos dinossauros

Nova espécie de molusco marinho, extinta há cerca de 400 milhões de anos, foi identificada em Ponta Grossa, no Paraná. A descoberta, publicada na revista científica britânica Historical Biology, representa um ser vivo que habitou a Terra muito antes do surgimento dos dinossauros, que apareceram há aproximadamente 250 milhões de anos. O achado, assinado pelos […]

Resumo

Nova espécie de molusco marinho, extinta há cerca de 400 milhões de anos, foi identificada em Ponta Grossa, no Paraná. A descoberta, publicada na revista científica britânica Historical Biology, representa um ser vivo que habitou a Terra muito antes do surgimento dos dinossauros, que apareceram há aproximadamente 250 milhões de anos. O achado, assinado pelos pesquisadores Elvio Pinto Bosetti e Kevin William Richter, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), detalha características únicas de um molusco do gênero Actinopteria, agora nomeado Actinopteria grahni em homenagem ao professor sueco Carl Yngve Grahn, que teve forte ligação com a ciência brasileira.

A pesquisa teve início com a busca por mais exemplares da espécie Actinopteria langei, já conhecida na região. No entanto, durante uma nova expedição ao sítio paleontológico Curva 2, no Jardim Giana, um exemplar com características distintas chamou a atenção. Diferenças sutis na estrutura da concha, como o contorno, a morfologia da aurícula anterior e a ornamentação radial, confirmaram que se tratava de uma espécie inédita.

“A análise paleoecológica permitiu interpretar que essas espécies habitavam ambientes marinhos rasos e permaneciam parcialmente enterradas no substrato, com adaptações biológicas direcionadas a esses paleoambientes”, explica Kevin William Richter. A descoberta detalha não apenas a existência de uma nova espécie, mas também oferece pistas sobre o modo de vida e o ecossistema em que ela estava inserida.

Antigo mar paranaense como berço de fósseis e recursos naturais

A região de Ponta Grossa, onde o fóssil foi encontrado, era, em tempos remotos, o fundo de um vasto mar que integrava a bacia do Paraná. A preservação dos fósseis nesse local se deve, em grande parte, a eventos catastróficos. Durante o período Devoniano (entre 419 e 359 milhões de anos atrás), tempestades intensas em um mar revolto teriam soterrado e dizimado a vida marinha, criando um registro fossilífero excepcionalmente preservado.

Além do valor científico para a paleontologia, o estudo sobre esses antigos mares tem implicações econômicas. O professor Elvio Pinto Bosetti destaca que um maior conhecimento sobre esses ambientes pré-históricos pode auxiliar na prospecção de gás natural. “Esse estudo reduz o custo de produção, pois a presença de matéria orgânica indica os pontos propícios para a ocorrência de óleo ou gás”, afirma Bosetti. A matéria orgânica de restos de algas, plantas e animais antigos é a base para a formação de combustíveis fósseis.

Próximos passos e a importância da revisão de acervos

Os pesquisadores planejam retornar ao sítio paleontológico Curva 2 em busca de mais exemplares de Actinopteria grahni. A descoberta também serve de incentivo para que museus e pesquisadores independentes revisitem seus acervos. “O nosso objetivo é que os museus e os profissionais da área reavaliem os materiais armazenados que antes consideravam como outra espécie. Afinal, a ciência funciona como uma constante reavaliação”, projeta Bosetti.

O fóssil recém-descoberto integrará em breve o acervo do Museu de Ciências Naturais (MCN) da UEPG, onde poderá ser estudado e exibido, contribuindo para a divulgação científica e a compreensão da rica história geológica do Paraná.

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