Exercício Físico: Um Aliado Poderoso no Combate e Sobrevivência ao Câncer
Exercício Físico: Um Aliado Poderoso no Combate e Sobrevivência ao Câncer

Exercício Físico: Um Aliado Poderoso no Combate e Sobrevivência ao Câncer

A revolução silenciosa no tratamento oncológico Lee Colker, 66 anos, encontrou na tela de um iPad uma nova esperança. Em meio ao tratamento para câncer renal metastático, ele aderiu a um programa virtual de exercícios, uma iniciativa que reflete um movimento crescente nos Estados Unidos e em outros países: a integração do exercício físico como […]

Resumo

A revolução silenciosa no tratamento oncológico

Lee Colker, 66 anos, encontrou na tela de um iPad uma nova esperança. Em meio ao tratamento para câncer renal metastático, ele aderiu a um programa virtual de exercícios, uma iniciativa que reflete um movimento crescente nos Estados Unidos e em outros países: a integração do exercício físico como componente terapêutico no cuidado oncológico. A fadiga e a névoa mental, sintomas comuns da doença e de seus tratamentos, começaram a ceder espaço para uma melhora na disposição, graças a um programa estruturado de atividades físicas.

O reconhecimento dos benefícios do exercício para pacientes com câncer não é recente. Estudos observacionais já indicavam uma associação entre a prática regular de atividades físicas e o aumento da sobrevida, especialmente em casos de câncer de mama. No entanto, um ensaio clínico randomizado e controlado publicado no último ano trouxe evidências robustas: pacientes com câncer de cólon que participaram de um programa de exercícios supervisionado por três anos apresentaram menor taxa de recidiva e uma qualidade de vida significativamente superior. Os resultados foram expressivos: 90% de sobrevivência após oito anos no grupo que se exercitou, contra 83% no grupo de controle.

As informações foram reunidas a partir de reportagens sobre pesquisas e iniciativas de centros oncológicos nos Estados Unidos.

Benefícios que vão além da saúde física

O impacto positivo do exercício se estende aos custos do tratamento. Um estudo posterior ao ensaio clínico demonstrou que o programa, com um investimento de cerca de R$ 15 mil por pessoa, gerou economia para o sistema de saúde. Scott Ramsey, pesquisador de câncer e economista da saúde, descreve o resultado como um “sucesso absoluto”. Essa combinação de benefícios – melhora na sobrevida, qualidade de vida e redução de custos – é rara em terapias contra o câncer. Em contraste, novos medicamentos podem custar centenas de milhares de dólares anualmente, com efeitos colaterais consideráveis e, por vezes, um benefício modesto na sobrevida a longo prazo.

Christopher Booth, oncologista e professor da Queen’s University, compara a magnitude do benefício do exercício com o de um novo medicamento: “Se tivéssemos um medicamento com um benefício dessa magnitude, ele imediatamente se tornaria o tratamento padrão e seria coberto” pelas seguradoras. Apesar das diretrizes atuais recomendarem pelo menos 150 minutos semanais de exercício moderado a intenso para pacientes com câncer de cólon, a ausência de mecanismos de cobertura pelos planos de saúde representa um obstáculo considerável para a adoção generalizada desses programas.

Superando barreiras e construindo infraestrutura

A infraestrutura para programas de exercício oncológico ainda é limitada, concentrando-se em grandes centros e dependendo de doações ou pagamento direto dos pacientes. Isso restringe o acesso a indivíduos de baixa renda ou que residem longe desses centros. Iniciativas como o programa Moving Through Cancer, liderado por Kathryn Schmitz no UPMC Hillman Cancer Center, buscam adaptar o exercício às necessidades individuais de cada paciente, reconhecendo que a adesão é tanto uma questão biológica quanto comportamental. Programas em universidades como a da Califórnia em São Francisco e unidades da YMCA oferecem abordagens variadas, desde fisioterapia e reabilitação até cursos de curta duração.

Kimberly Barker, 68 anos, relata a transformação vivida após participar de um programa de exercícios. Lidando com dores e fadiga após o tratamento de câncer de bexiga e útero, ela recuperou a motivação e a energia, voltando a desfrutar de atividades como o ciclismo. Diante de casos de sucesso como o de Barker, o UPMC anunciou que, a partir do próximo ano, oferecerá o programa de oncologia do exercício a pacientes com câncer de mama por meio do plano de saúde de seus funcionários. Essa medida pioneira, baseada em evidências de redução de custos com diminuição de hospitalizações e idas ao pronto-socorro, pode pavimentar o caminho para a inclusão do exercício como intervenção terapêutica padrão e acessível a todos os pacientes oncológicos.

Tags:

Veja Também

Testes Inovadores Buscam Diagnóstico de Endometriose Sem Cirurgia

Testes Inovadores Buscam Diagnóstico de Endometriose Sem Cirurgia

OpenAI e os Problemas do Milênio da Matemática: Um Avanço Incerto

OpenAI e os Problemas do Milênio da Matemática: Um Avanço Incerto

AGU pede direito de resposta à Veja após reportagem sobre financiamento de filme de Lula

AGU pede direito de resposta à Veja após reportagem sobre financiamento de filme de Lula

Freixo alerta para risco no turismo e critica planos de privatização de praias por Flávio Bolsonaro

Freixo alerta para risco no turismo e critica planos de privatização de praias por Flávio Bolsonaro

Turismo no Brasil: Desafios vão além da gestão do Ministério

Turismo no Brasil: Desafios vão além da gestão do Ministério